Em plena crise económica, o desnecessário dá lugar à oportunidade. Uma vez que as compras têm de ser muito bem pensadas, a qualidade substitui a quantidade. Os preços chegam a ser mais acessíveis se soubermos procurar nos locais certos. Por aqui e por acolá, numa esquina envelhecida, numa praça tradicional ou num jardim esquecido, encontramos bancas de objetos usados, garagens envergonhadas transformadas em lojas para fregueses curiosos, porta-bagagens atulhados de tesouros e muita simplicidade por parte de quem pretende desfazer-se de artigos em boas condições ou de relíquias de coleção. Numa altura em que é chique vestir-se o que já foi usado, temos ao nosso dispor lojas de produtos em segunda mão, assim como páginas de grupos assíduos nas redes sociais, onde se pode encontrar um pouco de tudo. Este tipo de comércio não formal, associado à gestão paciente de cartões e talões de pontos de supermercado, às promoções dissimuladas nas lojas oficiais e aos vales com que somos surpreendidos pelo correio (eletrónico ou não), é uma forma divertida e saudável de organizar e reduzir as despesas pontuais. Embora a crise não seja somente económica, mas também política, cultural e ideológica, tentemos governar-nos da melhor maneira possível na primeira esfera, deixando as outras para semelhantes espaços de opinião… Boas Festas!
Patrícia Spínola, Colaboradora da AAUMa