Embora de fora, desta vez procurando olhar de dentro, opto por escrever sobre o que, fora da Região, vai acontecendo, sem perder de vista, o impacto que também a Madeira sentirá, para que importa estarmos atentos. Bem recente e, como as imagens que pela televisão chegaram à Madeira, é a greve dos estivadores que continua por resolver e que não pode deixar sem um comentário que, naturalmente, não é na sua essência diferente de tantos outros que já apareceram na imprensa. Nada tendo a obstar quanto à greve em si, como direito dos trabalhadores, perfeitamente legítima, resultado afinal de toda a situação que se atravessa, nos seus múltiplos aspectos sociais e económicos, é a forma como esta greve se tem desenvolvido, que não pode aceitar-se, com recurso a 'profissionais' da agitação, internacionais, pagos não se sabe bem por quem e que, na sua passagem ruidosa e violenta, bem 'bebidos', cometem actos de verdadeiro vandalismo, fazendo rebentar petardos, deixando para trás muita destruição, incluindo o levantamento de pedras da calçada, para serem atiradas contra as forças de segurança. Para além do "folclore", mais grave é o seu efeito sobre a economia, nomeadamente, as exportações nacionais que, com os custos inerentes, têm de fazer-se por recurso a portos espanhóis, para os quais também têm sido divergidos navios de cruzeiro com centenas de turistas. Se isso não bastasse, como ainda ontem referia o Diário é o atraso senão mesmo o cancelamento da expedição para a Região de equipamentos destinados às empresas que asseguram as tradicionais diversões de Natal, sem dúvida afectando uma grande parte da população madeirense. Um outro aspecto, com autentica dimensão nacional e repercussão a nível regional, obviamente, é a 'fatalidade' que sobre todos os políticos, sem excepção, pende e que mais não será - numa perspectiva de defesa do verdadeiro interesse nacional e da independência da nossa nacionalidade - do que a 'condenação' ao entendimento, que sobre todos eles cai, não obstante os 'apertos' da troika e das diferentes instituições internacionais. Ainda que remotamente se relacionando, o mesmo será dizer também que, para muitos dos 'actores' que teimam em manter-se em cena, incluindo uns quantos que deram importantes contributos que o país reconhece, vai sendo tempo de dar lugar aos outros, retirando-se, com um mínimo de dignidade e sem "folclore". Exemplo disso mesmo, é também a carta que, por iniciativa de Mário Soares, oito dezenas de personalidades, parte delas também candidatas a ficar para a história, acaba de ser enviada ao primeiro-ministro - uma iniciativa inconsequente. Não é com "folclores" que se resolvem os problemas deste nosso Portugal. [por decisão do autor, este texto não respeita as normas do Acordo Ortográfico]

Francisco Leite Monteiro