António Ferreira Há um monstro na mitologia judaica criado pelo homem: O Golem. Não pode ser perfeito, o homem é um criador mesquinho e falível. O Golem nasce da lama e volta para a lama pelo dom da palavra. Nasce de uma provocação com o verdadeiro Criador, e volta à lama pois o Golem não sente, não tem valores, é um monstro caprichoso. Estas criações repetem-se neste pequeno rochedo cheio de excentricidades. Há pessoas que gostam de exibir influência e poder. Criaram uma figura que desde muito cedo mereceu repúdio e asco, mas foi permanecendo nos cargos, arranjando lugares, inflamando a ira e o temor dentro da própria organização. O povo não brinca, arranjou-lhe um apelido líquido, e goza à boca pequena, e ri à boca grande. A figura chega ao ponto de saturação, ninguém pode com ele. É afastado da organização e posto andar. A coisa não fica por aqui, chegam agora os últimos pontos de ostracismo. A ascensão e queda de um monstro não merece a nossa piedade. Mas é preciso pensar que os mecanismos que fizeram o monstro permanecem, as forças ocultas vão sobreviver. Posso acrescentar que esta gente não vive de uma ausência de valores, eles têm valores, são é todos perversos. Estas jogadas, estes logros podem estar apaziguados pelas derrotas, mas voltarão. Enquanto se lhes der espaço, eles continuarão a maquinar.