Vive-se hoje num mundo em rápida mudança e carregado de incertezas; num mundo em evolução acelerada e de crescente interdependência. Estas características tornam mais difícil, mas também mais estimulante, a reflexão sobre as estratégias futuras. É, portanto, num contexto de mudança e reflexão sobre o futuro que importa ponderar e definir as orientações estratégicas a seguir, para que, de uma forma moderna, realista e integrada, possamos ganhar o futuro. Assumindo claramente que os princípios, as lógicas, as metodologias e opções que nos acompanharam até aqui, não são de certeza absoluta o rumo a trilhar nesta década, estes princípios traduziram-se na transferência de dezenas de milhares de cidadãos, que viviam na sua "zona de conforto", particularmente financeiro, e que hoje se encontram em situação de grande desconforto. O conforto, estado a que todos aspiramos, acaba, por vezes, por ser fatal. Leva-nos ao comodismo, à rotina, ao vício e por vezes é gerador de alguma obesidade mental - George Friedman, "a próxima década". Durante as últimas décadas temos estado confortavelmente instalados na massa consumista em que nos tornamos. Embriagados, anestesiados, e confortados com a satisfação do presente, poucos se dignificaram em olhar mais além. Poucos créditos se deu aos que antecipavam o estampido que seria este caminhar em velocidade desenfreada. Eis que chegou o momento em que todos se preocupam com o "desconforto" da instabilidade e escassez no emprego, com a casa que se pode deixar de possuir, com as dificuldades para garantir a formação dos filhos, etc. O "conforto", por vezes, deixa-nos amorfos. Enfrentar a próxima década sem perceber, sem saber interpretar esta nova realidade e sem ter capacidade para ler os novos sinais, dificilmente nos levará a encontrar soluções e respostas adequadas para as novas realidades.

Jorge Carvalho, Professor