As políticas económicas e financeiras bem como a políticas monetárias seguidas pelos estados europeus e BCE, respectivamente, têm-se revestido de um certo grau de incongruência, e têm, sobretudo, revelado uma falta de coordenação amadora, imprópria de um regime avançado de integração económica como o europeu. Não há mecanismos de auxílio claros aos países em dificuldades. Não se avança, in extremis, com operações de refinanciamento directoaos estados, à semelhança do que o Banco Central Europeu faz com a banca. Neste particular, uma explicação muito simples emerge: os estados são como que "sócios" do BCE, por intermédio dos bancos centrais nacionais, tendo uma palavra a dizer em relação à sua intervenção e forma de actuação, em sede de Conselho do BCE. Aqui, chocam diferentes interesses,desalinhados, sendo que os estados,recusam encetar um processo de auxílio cabal aos estados a quem chamam de "PIGS" (Portugal, Itália, Grécia e Espanha), por várias ordens de razões: diferentes agendas políticas, o facto de se atribuírem "culpa no cartório" aos países relativamente à situação em que se encontram, ou ainda pelo facto dos Estados, no cômputo geral, não terem o discernimento para a avaliar os males que estão fazer ao euro. O cúmulo da descoordenação tem-se materializado com contenções orçamentais deliberadas, em países que não justificavam esse preceito, inviabilizando, dessa forma, a recuperação de outros estados, por via do comércio intra-UE. A solução passa, quiçá, pelo reforço da integração e da harmonização das políticas, para que à UE funcione como um bloco comunitário na verdadeira acepção da expressão e não se torne um "manto de retalhos".
Rafael Freitas, Colaborador AAUMa