José António G. de Freitas "A democracia surgiu, quando devido ao facto de que todos são iguais em certo sentido, acreditou-se que todos fossem absolutamente iguais entre si" - Aristóteles. De facto, apesar de ser um regime imperfeito, a democracia ainda é o melhor sistema político que vigora na terra. Pelo menos em cada período de quatro a cinco anos, as pessoas têm a oportunidade de intervir directamente na política e "escolher" um presidente, um governo, um representante. Na minha opinião , o problema dos insucessos das governações , está na qualidade e competência de quem se coloca ao serviço da causa pública. Para que existam bons gestores, médicos, cientistas, músicos, e outros mais nas variadas áreas, é necessário possuir uma boa uma formação escolar , universitária, moral, e uma forte dedicação à causa, sendo os interesses pessoais de cada um relevados para segundo plano. Temos neste campo em Portugal grandes referências, intemporais, em diversas áreas, na cultura , na ciência, etc... excepto na política! Na política o que falha? Exactamente isso! As pessoas crescem, formam-se em várias áreas, técnicas e cientificas, passam até pelas juventudes partidárias, e tornam-se políticos, mas não têm o necessário para estarem ao serviço da comunidade. Falta a "cadeira" de causa pública. O sentido de trabalhar, de servir o próximo, sem pensarem primeiro em si. Tornam-se políticos, por oportunismo, por elevação social, material, etc. Por isso só um povo ingénuo cria expectativas altas dos eleitos. Temos de evoluir, alterar este regime que é suportado em partidos políticos, com interesses próprios, como se fossem um fim. Talvez suportar-se em movimentos de cidadania. Mas para isso, é absolutamente necessário preparar pessoas para esta causa, desde cedo. A reflexão que deixo, é dirigida em particular ao Ministério da Educação, que tutela as escolas, as universidades, e à sociedade em geral. Porque não pensar em preparar futuros políticos, governantes de carreira? Os futuros eleitos? Até porque seria uma oportunidade para as escolas e para as universidades, dada a existência de cursos desajustados à realidade e que não dão qualquer saída profissional no país e no estrangeiro. Que se formem governantes!