"Não me venham com essa treta da liberdade de imprensa". A frase é clara no seu significado e é clara quanto a quem a proferiu. O presidente do Governo tem uma noção muito própria do que devria ser a liberdade de imprensa e do que deveria ser a liberdade em geral. Aliás, a sua noção de democracia, porque a imprensa é um dos pilares que a garante, sempre foi de um exotismo muito pessoal.
Por vontade de quem nos governa nas últimas décadas, essas minudências da liberdade de imprensa, da liberdade de expressão e de pensamento há muito que teriam sido banidas do dicionário e da vida real.
No mundo perfeito de quem nos desgoverna, bom seria que nos deixássemos dessas tretas de ter penssamento próprio e sentido crítico. O ideal seria caminharmos encarneirados em cima do betão armado, ouvindo em silêncio os doutos discursos de horas numa assembleia fantoche e garantirmos, sempre sem pensar e sempre em silêncio, maiorias absolutas que não indomodassem e que, principalmente, não permtissem essas maçadas que a democracia tem de deixar que cada cidadão pense por si e, pasme-se, tenha o direito de o expressar.
A noção de liberdade de quem nos governa, e em particular da liberdade de imprensa, está, aliás, bem expressa naquela que é a política deste governo em relação à comunicação social A manutenção de um jornal pago com valores escandalosos e onde só escreve e tem espaço quem não discorda, quem não desalinha, quem pensa segundo as regras e critérios do chefe supremo. Isto sim é um jornal e uma comunicação social decente. Afinal, para que precisa o povo de saber a verdade? Alguém come verdade? Perguntaria o chefe, logo seguido de um dos seu sorrisos paternalistas e protectores dos incautos que, no fundo, precisam é de ser defendidos dessa "treta da liberdade de imprensa".
Não fosse essa "treta da liberdade de imprensa" e o povo morreria de fome calado, perderia o emprego sem alarme, seria esquecido sem memória futura. E, finalmente, o chefe poderia dormir verdadeiramente descansado, sem medo do julgamento da história, porque tudo estaria a ser escrito de acordo com a sua vontade e as suas regras. A libersade de imprensa e a liberdade em geral seriam uma utopia proíbida e, com sorte, esquecida dentro de poucos anos.