Ano zero é coisa que as gentes da cultura, de tão habituadas, já não ligam nem estranham. Mas quando sua excelência, o da bola, abre o bico a propor ano zero também para o desporto, temos de reconhecer que a malta começa a perceber que o que aí vem são umas trapalhanças tipo três muda e seis ganha, com cada qual a meter combustível e levar o seu carrinho se quiser ir por aí dar uns toques. Toques que, não tarda muito, voltarão a ser na bolinha de trapos, exactamente como no passado que é como sabemos, o nosso futuro. O que tem de ser, tem muita força. E a circunstância de serem os factos e não os políticos a ditar as regras vai permitir repor alguma verdade no seio das instituições. Uma das noivas, a clássica, veio agora a público, não para exibir os seus dotes como qualquer noiva que se preze, mas para dizer que assim sem o papel na mão, não sobe ao altar. Nem no ano novo! Ao que se fala, papel tem havido e muito, ela é que nem lhe vê a cor. Montaram o circo e os anões começaram a crescer. Trinta anos depois, os palhaços andam amuados, divididos e descalços até ao pescoço. Nós, nem pêlo. Ora, se Deus quisesse que andasse-mos nus, todos nós teríamos nascido nus...
Eurico Martins, Director Orquestra de Bandolins da Madeira