Deodato Rodrigues Na passada quinta-feira fui referido numa notícia do DN sobre a situação no Atalaia Living Care. Uma vez que não foi possível comentar essa referência no dia em que ela saíu, falei ao DN, na tentativa de apresentar a minha perspetiva sobre o assunto. A notícia saída na sexta-feira, com uma minha foto a criar um protagonismo que não merecia nem procurei, acaba por não ser totalmente clarificadora do que importava dizer. Daí esta minha carta. É falso que esteja na situação de reclamante de qualquer dívida da Oceanos. Sabem-no e podem prová-lo os dois sócios fundadores da associação e os seus serviços de Contabilidade. Todos os dados que forem necessários para confirmar essa situação podem ser obtidos a qualquer momento. Os órgãos sociais da Oceanos foram eleitos a 12 de Novembro. Presido à direção, por vontade de 17 dos 25 sócios presentes. Essa decisão foi impugnada por um único sócio. O Tribunal resolverá a querela e a sua decisão será acatada por todos, estou em crer. O que é grave é que a impugnação crie uma situação dramática no serviço prestado pela Oceanos. A impossibilidade de movimentação da conta bancária da, entenda-se bem, OCEANOS, impede que se pague os vencimentos aos funcionários, os impostos aos Estado, as rendas ao senhorio, as faturas aos fornecedores. O esforço do Governo Regional, através IA Saúde, para atualizar pagamentos foi derrubado pela vontade do tal sócio que impugnou a assembleia. Curiosamente, na condição de administrador da entidade proprietária do Atalaia, é o mesmo que reclama o pagamento imediato de todas as rendas em atraso. Um contrassenso. Uma irresponsabilidade. É preciso toda a gente entende que o produto da atividade da Oceanos não são pregos, peças de roupa, blocos de cimento ou cadeiras. São ajudas diárias, em muitos casos permanentes, ao nível das rotinas mais básicas da vida humana: higiene, alimentação, medicamentação, tratamentos especiais, apoio psicológico. A Oceanos tem cumprido essa missão, muito por vontade e competência dos funcionários, dos enfermeiros, dos médicos; também pela compreensão de fornecedores credores diversos, entre os quais, o proprietário do prédio, sr. António Saramago, se destaca. Resta acrescentar que não foi a Oceanos a promover ruturas. Após o triste episódio do falecimento do sócio fundador nº 1, Dr. Carlos Rebolo, o único membro restante da Comissão Instaladora decidiu, precisamente, por se encontrar só, ouvir os sócios da Oceanos. Dessa consulta resultou a eleição dos atuais órgãos sociais. Tudo normal, legal e democrático, pois a Oceanos é uma associação independente, cabendo aos seus sócios decidir quem os representa. Esses representantes têm a responsabilidade de interagir com todas as partes envolvidas no Atalaia Living Care. Posso assegurar que é esse o objetivo. Estou certo que será alcançado.