Salvo honrosas excepções, que os reduzidos caracteres não me permitem destacar, tenho vindo a constatar que faço parte de uma geração, que em tempos foi catalogada de rasca, hoje provavelmente se sente à rasca mas que, no fundo, no fundo, padece é de uma gritante falta de capacidade e grita, a todo o momento, por socorro. Iludidos por uma sensação de bem estar e sem capacidade real para a sustentar, sem ideias para além das que são vendidas pelos jornais e televisões, sem substância nem conhecimentos, políticos ou técnicos e movidos pela lei do mais fácil, não conseguimos ultrapassar um qualquer obstáculo nem, pior, assumir nenhuma responsabilidade. O parágrafo seguinte seria o da culpabilização, claro! Porque a dita responsabilidade foi de quem tudo nos deu sem nada pedir, de quem nos habituou a ter sem nos preocuparmos em saber quanto isso custava a ganhar! Desculpem mas não entro nessa... Em vez de nos perdermos na defesa do nosso pequeno interesse corporativo, na tentativa de manutenção de um suposto direito adquirido ou no tal descartar de responsabilidades, que tal se começássemos a trabalhar e a envolver-nos, da maneira que nos for possível, na construção de uma sociedade diferente? Estou ciente de que esta pode até ser uma ideia peregrina mas creio com convicção que se tratará tão só de uma questão de hábito... Contrariamente ao que se tem vindo a fazer crer, estúpido não é aquele que produz alguma coisa, que não se faz valer de uma determinada posição; não é o que segue as regras e não está à espera do golpe; não é certamente aquele que não depende do favor e se move por princípios; não é também o que não necessita de subsídios nem o que demonstra capacidade de empreender, num ambiente de normal concorrência. Valorizemos, portanto, o trabalho e façamos por compreender que, para ter, temos que produzir para o conseguir, sem estarmos à espera do senhor governo, da família ou do amigo influente, que nos arranjará uma qualquer actividade mais ou menos bem remunerada, de reduzida responsabilidade e, se possível, com garantia de continuidade vitalícia.
André Barreto, Empresário