Jorge Amado escreveu e Sónia Braga imortalizou a Gabriela, em reposição na SIC com interpretações soberbas de Juliana Paes, António Fagundes, Ary Fontoura e tantos outros que nos habituámos a ver no pequeno ecrã. A história passa-se na Bahia dos anos 20, onde a ditadura dos coronéis impunha a lei de um homem só, apoiado e de braço dado com a Igreja (qualquer semelhança com outra qualquer ditadura que o leitor esteja a visualizar não é mera coincidência). Na referida história, existia uma 'casa de prostitutas', apelidada de Bataclan, onde a sua proprietária, Maria Machadão, proporcionava aos coronéis a possibilidade de fazerem sexo com diversas mulheres. Toda esta história, como já se viu, faz lembrar episódios da nossa política doméstica. Como se não bastasse a comparação da ditadura dos coronéis com uma ditadurazeca que por aí agoniza, ainda temos, na cena política regional e nacional, uma espécie de Maria Machadão do Bataclan. Para que o leitor a identifique, basta pensar naqueles que a nível nacional se 'amancebam' com o PSD mas declaram querer desposar o PS; nos Açores andaram com o 'cio' em plena campanha eleitoral jurando amor ao PSD mas prometendo casamento ao PS; Na Madeira, fingem ser puras donzelas mas propõem indecentes ménàges-à-trois com PSD e PS, numa espécie de 'orgia de lambuzação regional', desde que isso lhes sirva para chegar ao poder sem terem que passar pelo crivo popular. Há-de convir o leitor que ao pé da Maria Machadão da nossa política, a do romance de Jorge Amado é uma pura donzela. "Vice"?!
Roberto Almada, Líder do BE-Madeira