No início dos anos 90, o país parava em horário nobre para assistir às peripécias de Herman José e da sua saudosa assistente Rute Rita. Duas décadas volvidas, o país volta a recear o mesmo que receavam os concorrentes do programa: entrar em bancarrota. Na semana passada, soube-se que Portugal subiu do nono para o sexto lugar no ranking dos 10 países com maior risco de bancarrota. Mesmo após a saída do programa de ajustamento em que o país está inserido, as fracas perspectivas económicas de Portugal, a dimensão do ajustamento orçamental a realizar e a natureza frágil do mercado da dívida soberana da zona euro fazem com que os mercados não tenham a confiança necessária para que o país consiga regressar em pleno ao mercado no próximo ano. Ou seja, existe um entendimento generalizado de que Portugal vai demorar mais tempo a regressar aos mercados do que Setembro de 2013 (o objectivo inicial). Por outro lado, foi revelado que o número de desempregados que anulou a inscrição nos centros de emprego para emigrar entre Janeiro e Setembro subiu 45,4% face a igual período do ano passado, de acordo com os registos do Instituto de Emprego e Formação Profissional. Devido à falta de oportunidades de emprego em Portugal, estes registos demonstram que a opção pelo estrangeiro está cada vez mais a ser tida em consideração pelos trabalhadores que se encontram numa situação de desemprego. Tanto para aqueles que andam à "roda" perante o cenário económico actual, como para os que procuram a sua sorte em outras paragens, o cenário de bancarrota afigura-se como cada vez mais provável e, desta vez, com menos humor à mistura.
Pedro Nunes, Economista