O Fascismo conseguiu gerar, em Portugal, a sua primavera. Pelo contrário, o Jardinismo manifesta-se não-reformável. A "Primavera Marcelista" designa o período de governação de Marcelo Caetano, no qual o Fascismo pretendeu uma "liberalidade"na política, criando expectativas de uma reforma do regime em Portugal. Caetano foi escolhido para suceder a Oliveira Salazar em Setembro de 1968. Se aquela escolha dita reformadora aconteceu depois do autocrata ter sofrido um acidente vascular cerebral, a verdade é que o Antigo Regime, para sobreviver, percebeu que necessitava da sua "evolução na continuidade". O Jardinismo agoniza. Com ou sem Miguel Albuquerque à cabeça, o regime jardinista do qual aquele sempre foi e é parte fundamental, é incapaz não só de se regenerar interiormente, como também de responder à insolvência da Autonomia e ao desastre económico-social com o qual a Região se vê confrontada. As crises no interior do sistema, as progressivas contestações ao regime, as greves, o vasto movimento de protesto e a persistência da luta contra o Fascismo acabaram por ser factores determinantes para o despoletar do derrube do iníquo regime. A Revolução aconteceu! Já o regime jardinista está longe de estar derrotado. Vive convulsões e fracturas mortais. Mas está distante de colapsar. No entanto, cada vez mais se coloca a exigência de se acelerar a queda do velho regime e, o mais difícil, erguer uma alternativa política e um quadro de políticas alternativas.

Edgar Silva, Líder do PCP na Madeira