Há uma velha máxima que diz que "os abusos, como os dentes nunca se arrancam sem dores". Assim é na nossa vida pessoal, como na vida política. A governação 'laranja' da Madeira dá-nos exemplos variados da veracidade desta máxima. A começar pela crise de endividamento e a acabar na sucessão de Jardim. O sobre-endividamento que a irresponsabilidade da governação 'laranja' trouxe à Madeira é bem expresso no seguinte: no final dos Anos 90 a Madeira recebeu do governo socialista na República, de António Guterres, mais de 600 milhões de euros e ficou com a sua dívida quase anulada; depois disso, acumulou aquele montante de dívida todos os anos… Ou seja, o processo histórico de constituição de uma dívida acumulada durante o período da Autonomia foi limpo e de imediato acelerado exponencialmente anos após ano. Irresponsabilidade. Ataque à credibilidade de uma Autonomia plena. Não sei se estes abusos serão algum dia julgados criminalmente. Mas sei que a sua correcção será dolorosa e que quem pagará em última instância serão os madeirenses - população em geral, pelo desemprego e pelos cortes de benefícios sociais, e classe média em particular, pelos impostos e degradação do ambiente de negócios. A sucessão de Jardim também não se fará sem dor. Desenganem-se aqueles que pensam que Jardim gerirá facilmente a sua sucessão. Ele sairá pela porta pequena, como eu digo e escrevo há muito tempo, e não terá o registo histórico que espera. Toda a sua governação é abusiva e irresponsável. Por isso será 'arrancada' necessariamente com dores. As eleições internas deste último fim de semana estão aí para mostrar quão doloroso será o caminho interno do PSD-Madeira. E o processo só agora começou…

Maximiano Martins - Deputado do PS-M na ALM