Hoje é segunda-feira, dia de limpeza no PSD-M. A garantia foi dada no sábado passado pela sombra de Jardim. Sem surpresa. O reeleito líder já havia anunciado que ia passar a esponja sobre os estragos que o próprio causou com a pressa em ir a eleições. Pudera. Não lhe interessa deixar vestígios da sujidade abundante numa campanha sem precedentes em termos de ofensas, de utilização desigual de meios e de envolvimento abusivo de terceiros.
Os militantes contestatários, fartos do branqueamento sistemático das asneiras oficiais, quase sempre com recurso a toneladas de papel de jornal ou a inaugurações folclóricas, aprovarão sem pestanejar uma higienização antes da 'festa'. Se for feita com critério e com eficácia. Se tiver subjacente a mudança necessária. Se beneficiar o bem comum.
A haver limpeza a fundo, que comece pela liderança, apesar de recentemente renovada tangencialmente. Para que a teimosia, o ódio e os delírios possam dar lugar ao diálogo, à compreensão e à lucidez. E depois é sempre melhor sair agora com uma vitória sofrida no palmarés do que ser corrido com uma estrondosa derrota autárquica. Mas se não for a bem, há alternativas. Basta aparecerem 300 militantes a exigir um congresso extraordinário a meados de 2013!
A haver limpeza, que não poupe os bufos, os hipócritas peritos em jogo duplo, os que impediram os pagamentos de quotas, os que ocultaram dados e os que nem ler e-mails sabem.
A haver limpeza, que ponham no devido lugar, ou seja, na rua, os jarrões, as brigadas do reumático, a malta da sola seca e das avenças acumuladas, gente que ocupa lugares no governo, nos parlamentos, nas autarquias e nas casas do povo sem esforço e sem mérito, e que deixou em casa 10% daqueles que podiam votar na passada sexta-feira.
A haver limpeza que levem a outrora poderosa máquina laranja à revisão pois desta vez revelou-se um 'bluff', sendo quase cilindrada pelo que é elementar em democracia, estar com as bases e ouvir seus anseios e lamentos. E já agora que seja explicado o afastamento deliberado de alguns coordenadores políticos concelhios da campanha da 'esperança', ao que se sabe para deixar brilhar a equipa agrícola do indigitado candidato em 2014.
A haver limpeza, que tratem da credibilidade interna pois a eucaliptização tem provocado a debandada. A prova é que o futuro colectivo foi decidido por pouco mais de 3.500 madeirenses. Na prática os 51% de Jardim nem representam um quinto da militância social-democrata na Região, a mesma que se gaba de levar 40 mil almas ao Chão da Lagoa.
A haver limpeza, que haja eficácia. Durante anos fio, a lixívia foi dando para disfarçar as nódoas que sobraram da lavagem de roupa suja. Os extremismos recentes aconselham a substâncias mais fortes, capazes de combater e exterminar bactérias nocivas e odores derivados dos expedientes em que o partido se especializou ultimamente. A creolina acaba por ser a melhor solução, garante quem percorre a ilha a desinfectar as esquinas frequentadas pelos mijinhas da social-democracia madeirense.
Com o partido limpo, os futuros candidatos à liderança - e não vão ser poucos! - terão 60% dos cerca de 10 mil militantes por conquistar ou pagar quotas; terão menos argumentos para não se concentrarem no essencial, nos projectos necessários a uma Madeira realista e atractiva; terão presente que a chantagem terão quase de certeza de olhar atentamente para uma oposição que a conjuntura fará crescer e para natural intolerância de um povo em agonia.
É certo e limpinho que quando o PSD voltar a olhar para dentro, o ousado Albuquerque leva vantagem e outros tentarão marcar pontos, embora as fotocópias sejam sempre bem piores do que o original. Tal como será trigo limpo que a renovação adiada, geradora de amuos e protestos, far-se-á quando houver menos lugares para distribuir, o que é irónico num partido que esbanjou oportunidades, minou relações e fomentou intrigas.