Na escola, a estratégia do bom aluno, que vai dizendo sempre sim ao professor, nem sempre é a melhor a ser utilizada. Aceitar sem reflectir, ponderar e meditar sobre o assunto poderá levar-nos a uma nula ou má formação de carácter. Carácter foi o que faltou aos partidos da grande maioria nacional ao aprovar o Orçamento. Portugal e esses grandes senhores teimam em manter a personagem do bom aluno perante o FMI, sujeitando-se a todas as ordens que o senhor professor dita. Espero que todos os deputados, que votaram a favor, tenham consciência de que estão a piorar a situação de Portugal. Espero também que todos os portugueses decorem os nomes desses indivíduos. Antes de representarem partidos políticos, governos ou instituições, relembro que representam antes de tudo os cidadãos que os elegeram. O seu papel é ajudar o País não ajudar aos seus credores. O papel dos deputados hoje em dia parece ser o mesmo que o de um fiel cão que teima em concordar com o seu dono, quando a sua cabeça diz-lhe para fazer exactamente o contrário, com medo de perder certas regalias. Não quero pensar que as pessoas que lá estão, para defender a sua Pátria, não tenham consciência da gravidade da situação do momento em que disseram sim. Por entre toda esta situação saúdo o Madeirense Rui Barreto por ver mais além do que a maioria do seu partido, por entender e honrar aqueles que nele votaram. Por vezes o bom aluno nem sempre é o mais sábio. Nem sempre é o mais popular. Mas com certeza que é o mais beneficiado.

Rúben Castro - Colaborador da Associação Académica da UMa