Óscar Teixeira Errar é humano, mas insistir no erro, não sendo por ignorância, terá as suas razões. Vem isto a propósito da insistência ainda agora revelada pelo Presidente da Câmara de S. Cruz perante o projeto Quinta Escuna. Na verdade, este intento nunca teve qualquer estudo credível que justificasse a grandeza pretendida e os seus elevados custos. Muito menos é justificável o papel de imobiliária com que a Câmara deveria garantir todo o risco do arrendamento a terceiros numa renda anual global de 1,5 milhões de euros sendo a renda própria superior a meio milhão. Muito menos, ainda, poderá haver ignorância na atual situação de bancarrota da Câmara obrigada a um reequilíbrio financeiro onde não entram nem cabem quaisquer devaneios partilhados. Ao tornar-se público o pedido de 30 milhões de euros de indemnização da "Tijolo Branco" à Câmara de Santa Cruz, o que seria expectável do seu presidente era desde logo a defesa da sua instituição. Pelo contrário, num comunicado prontamente emitido, o executivo PSD nada diz sobre o absurdo e a ganância de tal pretensão mas, isso sim, insiste na música da bondade do negócio, atacando a oposição pela falta de gosto musical. Este comportamento, aliás, é consentâneo com as afirmações proferidas em dezembro de 2010 após a revogação do contrato. "Sim senhor, há direito a uma indemnização", disse então, alto e bom som, o presidente. Este comportamento, aliado ao historial do processo, abre a questão de qual o lado negocial da vereação PSD nesta pseudo parceria público-privada. Em 2007, a Fundação Social-Democrata vende a quinta à empresa administrada por um empresário conotado com o PSD. Mas, já em junho de 2006, a CMSC tem um pré-estudo interno para um projeto de renda partilhada nesse local com a curiosa profecia de um imóvel no valor de 21,5 milhões de euros. De igual modo se acelerou desde 2007 o conveniente Plano de Urbanização de Santa Cruz enquanto se recusava um pertinente plano para o Caniço. O concurso público aprovado em março de 2009 serviu apenas para legalizar o que publicamente já estava assumido e por isso impunha características não fundamentadas mas que eram apenas possíveis para aquele local. Mas o mais significativo neste negócio é o lucro garantido para o empresário passando todo o risco do sub-arrendamento para a Câmara. E fique claro que nem o tribunal nem qualquer outro serviço assinaram ou se propuseram a assinar uma simples linha de contrato com a Câmara. Este negócio seria pois um rombo partilhado … partilhado nos seus custos pelos munícipes de Santa Cruz.