De fora, mas atento ao que se passa na Madeira, um dia após as eleições directas do PSD-Madeira, com Alberto João Jardim a ganhar por margem mínima, não podia deixar de, neste mesmo espaço, onde ao longo do ano tenho vindo a registar os sinais de mudança que se começaram a vislumbrar e se acentuaram, progressivamente, deixando ver claro que o Povo Madeirense não dorme e sabe para onde quer ir, sem se atemorizar pelas atoardas e ameaças, vindas de uns quantos que, obstinadamente, recusam a mudança que urge e, por que os outros, que já são a maioria, anseiam com determinação. O que se passou durante a campanha para a liderança do PSD-Madeira, roçou as bordas do incrível, com ataques pessoais, desnorteadamente, recorrendo à invocação de "papões" e à ameaça de recurso a uma fantasiosa autodeterminação, por definição irreal, além de indesejável para o Povo Madeirense, que foi, é e quer continuar a ser parte da Nação Portuguesa, salvaguardados os direitos à autonomia, tal como consagrados na Constituição da República. Passados estes tempos de expectativa quanto ao desfecho das eleições de sexta-feira, há que agora perspectivar o futuro, num clima económico, social e financeiro pouco favorável, é certo, mas que importa enfrentar com serenidade e bom senso, com um verdadeiro sentido das realidades, reconhecendo que nesta terra, que é de todos nós, há para todos, lugar. Nesta mesma ordem de ideias, vem a propósito, o que nunca será demais recordar, ser agora indispensável, olhando em frente, fazer por apagar da memória, os desmandos, travessuras e aleivosias, que o entusiasmo de uma campanha eleitoral, sempre faz despontar e, na defesa do interesse regional, cuidar de dar uns quantos passos em frente para resolver determinadas questões, dentre as quais, mesmo sem definir prioridades e sem as esgotar, me permito destacar a frente-mar do Funchal . Da minha última estadia na Madeira, há pouco mais de um mês, registei a 'calamidade' que vai por toda a frente-mar do Funchal, em grande parte, ainda em consequência do '20 de Fevereiro'. São as fozes das ribeiras de São João, de Santa Luzia e de João Gomes e é também, todo o espaço do aterro resultante daquele desastre ecológico, numa área que, deve lembrar-se, é por assim dizer a "Porta de Entrada" nobre da Região, assim como, todo o percurso ao longo da antiga Estrada da Pontinha, agora englobando a Praça do Mar, onde o edifício ali implantado, aparentemente sem utilização à vista - quiçá por deficiente planeamento - se vai degradando. Responsabilidade que dir-se-ia ser 'partilhada' entre o Governo Regional e a Câmara do Funchal, oxalá, ultrapassadas as responsabilidades partidárias dos seus Presidentes, sejam os mesmos capazes de, responsavelmente, promoverem as acções necessárias para que seja reposta a normalização de todas aquelas áreas. A concluir - sem perder a esperança - oxalá, aconteça a mudança. [por decisão do autor, este texto não respeita as normas do Acordo Ortográfico]
Francisco Leite Monteiro