O País e a Região estão condenados no próximo ano a orçamentos restritivos e punitivos. Teremos mais carga fiscal sobre as famílias e as empresas em nome da consolidação orçamental e do reequilíbrio das finanças públicas. Houve durante anos a fio uma praxis governativa irresponsável, desajustada da realidade e por vezes criminosa na gestão dos dinheiros dos contribuintes. O País e a Região viveram durante anos acima das suas possibilidades, numa lógica suicida do estilo - faz-se agora e paga-se depois - com constante recurso ao crédito, sem sustentabilidade nem responsabilidade intergeracional. Percebeu-se isso quando os bancos deixaram de financiar economias decrépitas baseadas no sobre endividamento público. Já todos sabemos que o próximo orçamento será duríssimo para todos. Discordei da relação desajustada dos sacrifícios. Discordei quando vejo que o Estado exige dos outros o que não consegue exigir a si próprio. Importa refletir sobre tudo isto. E se a Madeira tivesse finanças publicas sãs quando Portugal pediu o resgate financeiro? Não poderia a Região Autónoma Madeira pedir um regime de exceção na aplicação da austeridade? Claro que sim. Porque é que nós Madeirenses estamos a pagar mais 25% de carga fiscal que no Continente Português? Porque o Governo Regional pediu um programa de assistência financeira para fazer face às despesas que gerou e ocultou e porque tem que garantir o pagamento das dívidas. Porque a Região estava em pré bancarrota e apesar de todos os impostos gerados e cobrados na Madeira ficarem na Madeira, são insuficientes face à despesa. Os 1100 milhões de euros que a República deu aval não são para o Governo do PSD fazer obras, são para substituir divida que custa juros altíssimos por outra à república por juros mais baixos e para pagar num prazo maior. Foi um exercício de gestão corretiva porque de gestão preventiva este Governo Regional já deu provas de reprovação no teste. É preciso uma nova geração que faça da gestão pública um desígnio e não um exercício artificial de perpetuidade política. É preciso reconstituir a autonomia com sabedoria, segurança e esperança.

Rui Barreto, Deputado do CDS na AR