Madeira 12 República 2. Foi esta vitória que Alberto João Jardim reclamou para si, findas as ‘negociações’ do Orçamento de Estado para 2013. O presidente do Governo Regional tem coragem de falar em ganhos, quando este é um documento que faz com que todos percamos.
Quer dizer, quase todos, porque o pensionista Jardim vai continuar a acumular reforma com vencimento, enquanto que outros, cujas reformas nem chegam a mil euros, vêem a sua subsistência ameaçada. Foi mais um golo do ponta-de-lança da Quinta Vigia e quem levou o ‘frango’ fomos todos nós. A única sobrevivência que o presidente da Madeira conhece é a política. E para ele é disto que se trata. Da sua própria continuidade agarrado a um poder que lhe foge, escorrega, pelas mãos. Jardim regozijou-se com ganhos num Orçamento, que representa um massacre fiscal sobre todos os portugueses, madeirenses incluídos.
Este Orçamento, que Jardim diz ter ganho, é o mesmo que traz aumentos brutais no IRS, diminuição do rendimento das famílias, cortes em todas as prestações sociais e desemprego. Aqui também. Significa mais empresas a fechar, muitas no sector do turismo – a principal actividade económica da Região – porque o Governo do PSD de Jardim não aceitou baixar o IVA para manter alguma competitividade no sector.
Este é um Orçamento de fome, de miséria, de violência e de contestação. É a factura do despesismo irreflectido. A conta da festa – que não foi nossa – por pagar. O somatório das extravagâncias deste Jardim e de outros espalhados pelo país, menos exuberantes nos jornais, mas tão megalómanos na prática governativa.
Jardim diz que a Região ganhou. O líder já não distingue o que acha que governa de si próprio. Não ganhou, nem marcou. Porque num país à fome, ninguém ganha e há uma altura em que já não há nada a perder.
A maioria das propostas que o PSD-M apresentou em Lisboa foram chumbadas. 3-6 foi o resultado. O aval do Estado para um empréstimo de 1100 milhões é um balão de oxigénio na reestruturação da dívida regional, mas não é nenhum golo, nem sequer de penalti. É apenas o ministro das Finanças a controlar o próprio défice, porque se a Madeira falha, o país também e pagamos todos mais. O presidente do Governo ainda não percebeu que joga do mesmo lado que o resto do país.
O mais chocante não é Jardim fazer da vida de quem governa um jogo de veteranos de fim-de-semana. É a frieza com que aborda a miséria alheia de muitos que lhe deram o voto.
É de futebol que o presidente gosta. E é em linguagem de bola que termino:. Não é 12-2. É 34-0. O presidente ganhou, a Madeira perdeu. Mas convenhamos que se houve golos de se tirar o chapéu, estes últimos - em fora de jogo - estragam o que podia ter sido uma bela carreira, de quem não soube arrumar, a tempo, as chuteiras. ‘Morre’ em campo, cansado, mas sem glória. E no fim ninguém ganhou.