Luís Reis Conforme data de registo, nasceu no Atlântico em 1419 uma vaquinha a quem foi dado o nome de Madeira. Desprezada pelo pai, de seu nome Portugal, teve uma infância algo infeliz e atribulada. Com o passar dos anos e esfumado no tempo esse período da sua vida, tornou-se formosa. Como acontece às vaquinhas formosas, passou a ser cobiçada, amada e no seu caso explorada. Isso porque, a sua beleza despertou a atenção dos chulos que logo a assediaram. O líder, o conhecido proxeneta Alberto, incentivou os demais a explorarem pois, via nela uma excelente fonte de rendimento para sua mafiosa organização. O seu destino estava traçado. Transformaram-na numa prostituta de luxo, o que a levou a ser conhecida como: a Pérola do Atlântico. A sua fama corre o mundo, contribuindo com isso para o enriquecimento de muitos deles. Porém, ela continua pobre e até mal-amada. Após estes longos anos de sofrimento, está velha e agastada. Todavia, os chulos não lhe dão descanso, fazendo promessas que sabem nunca poder cumprir. A beira-mar prostrada, sofre e chora e, sendo católica, pergunta a Deus: «que mal fiz eu para tal sofrimento?» Tem ao seu cargo o agregado familiar que ronda as 290 000 almas. Com o coração despedaçado pela miséria em que se encontram os seus entes queridos, endividou-se, e não sabe como pagar tão monstruosa quantia. Até quando a saga desta vaquinha que, pela sua beleza e a família que tem, merecia ser feliz?