É com esta afirmação que brindo quem me apresenta uma situação que acha ser vergonhosa. A vergonha resulta da relação que temos com terceiros, em que nos sentimos inferiorizados em relação a alguém. Ou devê-lo-ia ser, pelo menos. O leitor atento verá que a minha definição de vergonha não dista muito de certo provérbio humorado português. Uso-a pensando sempre no comportamento concubinal do poder político em relação ao poder económico que arrastou a terceira república portuguesa para o estado enfermo em que se encontra. Como é possível que depois de décadas de investimento público, benefício fiscal atribuído, dinheiro injectado em privados, pseudoprivados e quase-públicos (menos na gestão, claro está) nunca a economia portuguesa tenha conseguido cortar o totalmente o cordão que a une ao Estado? Como é que o Estado prefere atentar contra direitos civis conseguidos ainda nem há meio século, em vez de exigir responsabilidades aos prevaricadores que fizeram mau uso do património público? Como é que ainda suportamos tanto governante, representante, dirigente e mau-carácter que sequer insinua como solução do problema o despedimento de gente? Qualquer indivíduo neste país que roube muito para si ou para outros, é herói. Ainda há quem nele vote e lhe aperte a mão. Quem o admire e que se envergonhe quando lhe dirige a palavra. Só posso concluir que todos os portugueses verdadeiramente honestos e honrados são, no mínimo, idiotas. Desculpem-me os meus pais!
Carlos Diogo Pereira, Colaborador da AAUMa