Andrei Sakharov foi um dos mais notáveis físicos da extinta União Soviética. Teve um papel de relevo na bomba atómica de hidrogênio, em 1953. Este feito valeu-lhe reconhecimento pela prestigiada Academia das Ciências de Moscovo. No entanto, os ensaios vieram demonstrar os efeitos apocalípticos desta arma e fez repensar a sua utilidade, o que o colocou em rota de colisão com a cúpula do regime soviético. Mais ainda, a sua obra "A Liberdade Intelectual e a Coexistência Pacífica" na qual denunciou a falta de tolerância, a perseguição de inúmeros oposicionistas, os gulags e a idolatria do governo, irritou o politburo. Pela sua luta dos direitos humanos recebeu o Nobel da Paz em 1975. Não só não foi autorizado a ir a Oslo receber o prémio como perdeu a liberdade. A Perestroika e a Glasnost vieram dar-lhe razão e a liberdade. Em sua memória, a União Europeia instituiu o Prémio Sakharov, para destacar pessoas que lutam pela defesa dos direitos humanos, da liberdade de expressão e política. Este prémio é atribuído, cada Dezembro, desde 1988. Permitam-me a analogia, a Madeira atravessa a sua maior crise económica e social dos últimos 40 anos. Adiciona-se uma crise política com hostilidade da República, o descrédito da Europa, a angústia da população e o colapso do PSD Madeira. O Governo Regional está "velho", deprimido, sem esperança ou inovação, um verdadeiro ambiente de "velório". A perpetuação do poder e a glorificação do regime, governamentalizou todos os aspectos da nossa sociedade madeirense. O Governo não mudou o mundo mas os governantes madeirenses mudaram o seu próprio mundo pessoal. Os censores do Pravda ficariam extasiados com o Jornal da Madeira. A axfixia das vozes incómodas chegou ao próprio PSD Madeira no qual, quem pensa pela sua cabeça ou quer respeitar os outros, é inimigo do partido. São os militantes laranja que, agora, coitados, provam do mesmo veneno que sempre deram às oposições. Ambos, os militantes laranja agora envenenados e, mais ainda, os oposicionistas, serão candidatos naturais ao próximo Prémio Sakharov, que deveria ser atribuído aqui na Madeira. O fim desta forma de governar é certo. Só não vê quem não quer. E só teme o fim quem ilicitamente beneficia de benesses. Somente!

Mário Pereira - Deputado do CDS-M