Vivemos tempos de grande demagogia. Os que nos governam tentam dizer que o negro é branco, que o negativo é positivo, que a desgraça que atinge a maioria do Povo Português afinal é um caso de sucesso. Outros, que estando no Governo de lá e concordando com as medidas, afinal são oposição cá, lavando as mãos como Pilatos para tentarem não perder votos nas eleições que se avizinham. Para o PSD-M, a oposição termina nas medidas que signifiquem mais dinheiro em caixa - tudo é bom desde que signifique a entrada de mais dinheiro nos cofres regionais, mesmo que o Povo fique depenado. Para o CDS, aquilo que assina e concorda lá, já não é defendido cá, porque significaria perder votos e popularidade. Aqueles que com as PPPs e outras medidas perdulárias levaram o País de PEC em PEC até à intervenção da 'troika' também dizem nada ter a ver com a situação a que chegámos, esperando que o Governo de Passos e Portas caia de podre sem se preocuparem que entretanto o Povo seja esfolado vivo com as medidas de austeridade loucas que estão a tomar. Se têm alternativas, como dizem, era seu dever perante o desastre para o qual está a ser empurrado o Povo e o País exigirem eleições e ajudarem a correr com este Governo. Até parece que estão à espera que o Governo PSD/CDS faça o trabalho sujo para aparecerem como menos maus… E a tudo isto vai assistindo o povo, alguns calmos e serenos, como se tudo isto fosse a coisa mais natural do mundo. Quem se atreve a contestar, seja na rua ou noutro espaço qualquer, é apelidado de "gente que berra" pelo presidente do Governo Regional, que não tolera que se lhe diga na cara o que pensamos da sua política que está a levar a nossa Região à bancarrota e ao fim da autonomia, que deveria servir as pessoas que cá vivem. Hoje o estado trata-nos como mendigos. Acabou-se a solidariedade para com os/as portugueses/as que vivem rodeados de mar por todos os lados. Hoje, os governantes regionais acagaçam-se perante o poder central e assinam acordos que nos colocam novamente na cauda do desenvolvimento pessoal e humano. Aumenta o número de pobres, aumenta o desemprego, aumenta o empobrecimento geral de uma classe média que foi o principal motor da economia regional durante muitos anos. Aumentam os flagelos sociais como a violência doméstica, pois só no primeiro semestre deste ano o Ministério Público registou 533 casos na Madeira e isto para não falar da maioria que sofre em silêncio e não participa por pensar que não tem saída para a sua situação. E perante tanto problema existem pessoas que se admiram de a sociedade estar a ficar violenta e as manifestações estarem a mudar. Quem tem a responsabilidade de qualquer violência é o poder que nos governa, que está a criar uma situação onde existem muitas pessoas que consideram que já não têm nada a perder. Algumas já não têm empregos nem subsídio. Outras já lhes desceram o salário e as pensões, roubaram-lhe os subsídios de Natal e de férias. Os jovens já perderam a esperança no seu país e, ou são precários, ou emigram para procurar saídas para a sua vida. Os que ficam estão revoltados e compreende-se perfeitamente a sua revolta. Não foi para isto que os seus pais lutaram e trabalharam toda a sua vida. Está a encher-se um barril de pólvora que tende a explodir se entretanto quem nos governa não mudar. Lá e cá. Com outros protagonistas e outras políticas. Não estamos condenados a termos um Coelho num Jardim seco e sem flores com um Gasparzinho que consegue falar durante 90 minutos sem pronunciar uma só vez a palavra povo. São os números de um "sucesso" que só ele é que vê porque para o povo são desgraças anunciadas através de uma matemática falseada, que deve colocar os cabelos de pé dos verdadeiros cientistas da ciência que devia ser exacta.
Guida Vieira