Nascemos num local mas convivemos com pessoas de diversas culturas, tudo isto possível através de viagens pelo mundo. De facto, quantos de nós conhecem a cem por cento o lugar onde nasceram? Certamente alguns, pois naturalmente têm a tendência de conhecerem lugares em que nunca tenham estado, do que propriamente conhecerem o lugar onde nasceram e onde cresceram. Falo de uma jovem que vive já alguns anos em Portugal, mas nasceu na cidade do Cabo e desde que cá chegou, nunca lá voltou. Neste momento, sente uma vontade enorme de conhecer a sua naturalidade. Afinal, não é apenas um lugar sem significado, mas pelo contrário, significa um começo de uma vida. Como será a cultura em África? Só conhece a África do Sul através de fotografias, por memórias de outras pessoas que já lá estiveram. Dou como exemplo um escritor bem conhecido, Gonçalo Cadilhe, que refere num seu livro, A Lua Pode Esperar, "E a cidade do Cabo é o berço desse mundo num só país, é a mother city, o início da identidade nacional." Sendo assim, é como querer conhecer a "mãe" desconhecida e abraçar uma nova cultura. Como diz Cadilhe: "Penso que é impossível não amar esta cidade com a sua posição única, com o seu passado europeu, com o seu presente cosmopolita, com o seu futuro incerto." A meu ver, há que ir ao encontro das nossas origens. Nunca deixar passar em branco, um nascimento num país diferente. Cada um de nós tem uma história e essa história tem um início que começa quando nascemos.

Cristina Teixeira, Colaboradora da Associação Académica da Universidade da Madeira