Os planos de austeridade que têm caracterizado a actividade governamental nesta legislatura de centro-direita, têm feito muito mal ao Turismo, uma actividade que em Portugal envolve muitos milhares de famílias e uma cadeia de valor diversificada e espalhada por diversas actividades profissionais. As subidas ou as descidas das receitas turísticas não são assuntos que interessem apenas aos que estão directamente a trabalhar nos hotéis ou nas agências de viagens ou nas companhias aéreas e nas outras empresas de transporte. Por isso, fala-se muitas vezes em empregos directos e empregos indirectos. O mais preocupante nestes tempos é a ausência de estratégia, de acerto de políticas que não sacrifiquem tanto o dinheiro em circulação e que confiram rendimentos suficientes para que os portugueses (isso mesmo, os pobrezinhos dos nossos conterrâneos) possam continuar a gozar as suas férias e a movimentar toda a infra-estrutura que está montada no País, que não se destina apenas aos turistas que chegam de fora de Portugal. Temos de entender o turismo como um fenómeno social de grande relevância nos dias de hoje e não como uma actividade reservada para alguns ricaços ou remediados que, por via dos seus rendimentos altos ou dos seus salários mais confortáveis, conseguem sair alguns dias dos locais onde vivem o ano inteiro, distrair, passear, aliviar a tensão quotidiana e enriquecer a sua formação e cultura através de novas vivências. O turismo é uma indústria de serviços, a maior do mundo, depois da indústria dos armamentos de guerra, tão antagonistas, mas inevitavelmente tão próximas na listagem. Temos de entender em Portugal, em geral, e na Madeira, em particular, a importância do sector e a obrigatoriedade de lhe dedicarmos tempo, interesse e atenção, na mesma proporção em que entendemos as receitas e os postos de trabalho que proporciona. Tirar receita ao turismo é tirar o pão da boca de muitos milhares de Portugueses. O que se tem feito é tirar receita ao turismo: porque não se atende as necessidades da promoção para cativar mais estrangeiros, porque não se paga aos Portugueses o suficiente para que façam turismo, porque os governos afogam os empresários em impostos e contribuições incomportáveis com o nível de receitas que auferem. Repetitivo, é verdade, mas é bom relembrar certas coisas a certas pessoas.

Catanho Fernandes, Jornalista