O Orçamento de Estado 2013 para o Ensino Superior previa um corte na ordem dos 9,4%, o que seria um autêntico descalabro. Mas, na última semana, o Ministério de Nuno Crato, após pressão dos reitores das Universidades, resolveu baixar o corte previsto para 3,2%. Algo que, por agora, levou a que os reitores não fizessem um comunicado ao País. Uma coisa é certa! Existe um corte no Ensino Superior e não devemos ficar numa posição de "Ah! Menos mal... Poderia ser 9,4%". Este corte levará a que no próximo ano ocorra, eventualmente, um aumento das propinas, um aumento de pedidos de ajuda por parte dos estudantes e, por fim, um aumento no número de desistências. Consequentemente sobrarão vagas, os que continuarem a estudar terão dificuldades para pagarem as suas propinas, e as Universidades não vão conseguir pagar aos docentes, pois os gastos são os mesmos e as receitas cada vez menores. No final do ano, as contas serão piores ainda e haverá um novo corte. As propinas aumentarão novamente, os professores serão cada vez menos e as vagas continuarão a aumentar na medida em que os estudantes continuarão a desistir devido à impossibilidade de pagarem. Como não existem professores nem alunos, os cursos serão fechados e a Universidade, seja ela qual for, terá cada vez maior impossibilidade de promover e de investir nos cursos que ainda lecciona, e sem investimento, não há retorno. As contas continuarão a derrapar e a única solução que o Governo deverá achar, seguindo o mesmo raciocínio destes últimos tempos, será aplicar um novo corte. Por ventura, haveremos de chegar aos tais 9,4% e até os ultrapassaremos. Alguém quer adivinhar qual será o final desta história? Não, deixem-se estar que eu digo. A Universidade fecha.
João Francisco Baptista, Colaborador da AAUMa