Região Autónoma da Madeira, 2012, tempo de crise. Crise complexa que inclui muito mais do que a situação conjuntural correspondente à que o país atravessa e quanto à qual pouco ou nada podemos fazer atendendo à insignificância do orçamento regional no volume global das contas nacionais. Aí, o mais que se pode e deve fazer é fugir da retórica que nos aponta como despesistas como se o buraco nacional fosse nosso. Não só fugir. É preciso não nos expormos a exame e julgamento fácil que alguma incoerência na apresentação de resultados suscita e que, logo, é apontada como manobra de ocultação. Faltam indicadores claros, objectivos, transparentes e nem é preciso inventar, há tantos por esse mundo fora, já validados, aceites e, sobretudo, úteis para a própria gestão da coisinha pública que é uma região tão pequena como a nossa. Precisamos, neste domínio, sair do buraquinho em que nos meteram com alguma complacência nossa. E se usarmos linguagens e metodologias mais que testadas, quem nos vai apontar o dedo? Em vésperas de preparação de novo quadro comunitário, eis a oportunidade de dar o golpe de asa. Claro que a pergunta fatídica surge. Onde está o dinheiro? Com que meios? Mas, essa pergunta tem sido feita mais como sentido de justificação para um adiar daquilo que se poderia estar já a explorar e que, parece, ser uma das poucas alternativas, até porque dependente de nós próprios: meter mãos à obra, e partir para o nível seguinte. Até porque, por muito que alguns queiram escamotear, estamos numa posição invejável para seguir em frente, continuando na direcção da melhoria da qualidade de vida da população madeirense que é, afinal, o nosso maior objectivo. Recuso (e creio não estar só) a insistência no barulho que alguns actores insistem em utilizar como motivação e meta. Uma boa parte dos que são pagos para trabalhar e ter ideias contenta-se em julgar ruidosamente as ideias (ou falta delas) dos outros. É o descrédito (se é que ainda havia algum) e a evidência quotidiana de que esta gente não se preocupa com a sua gente. Preocupa-se apenas com o poder, a tal ponto que, como se assistiu recentemente, um candidato a candidato, se ganhar manda demitir os que foram eleitos mas, se perder, mantém-se no seu poleirinho feito palheirinho. Canta bem e alto mas é pequenino e de vistas muito curtas. Vamos aos meios e ao tal dinheiro que, se calhar, é tanto que nem cabe no resto do limite dos caracteres disponíveis para esta nota. Comecemos pelo dinheiro, e deixemos até de lado os impostos, que já se sabe que não darão assim tanto, e o CINM que, só por si, nos colocaria numa posição bem mais vantajosa (mas não resolvia tudo porque há vida para além do CINM). Nem vamos procurar no espaço internacional, fora da Europa, as possibilidades que a cooperação disponibiliza ou os mercados em que efectivamente podemos ser competitivos porque, felizmente, estamos num patamar muito à frente de regiões e países emergentes onde o nosso saber (sim temos algum) e experiência são altamente valorizados. Precisamos é que alguém se ocupe disso e que promova a intervenção nesses espaços e oportunidades. E não é aqui que se faz isso. É preciso lá estar, seja onde for e, fazer. Há um novo quadro comunitário de apoio que deve ser explorado atempada e exaustivamente e alinhado com o que se tem que fazer a seguir. Esse quadro inclui a componente específica para a região mas incluirá, tal como nos anteriores, imensas oportunidades para empresas, administração pública e pessoas que tem que ser aproveitado directamente ou em parcerias estratégicas. Mas isto só se faz se tivermos esta ideia e objectivo bem assumido, e à cabeça, e se colocarmos as peças certas nos lugares certos, os recursos ao serviço de uma eficiência objectiva e deixemos de nos contentar em participar num jogo e passemos a querer ganhar o campeonato. Os meios? A Madeira, ao longo da sua história, e os últimos 30 anos assim o comprovam, encontrou sempre nas suas gentes os melhores meios. E é essa a melhor garantia para o futuro.

António Domingos Abreu, Biólogo