Cristina Pestana Diz o Sr. Reitor da Universidade da Madeira estar agora empenhado, perante o número de desistências e abandonos registados no início do ano escolar, em oferecer as melhores condições possíveis aos alunos. A declaração é para começar a tremer, vindo da mesma pessoa que refere-se à UMA, sem nenhum tipo de rubor aparente, como uma "universidade de referência". Como antiga "cliente" e conhecedora da universidade (em várias vertentes) posso referir que a realidade é, infelizmente, outra bem diferente. A atual UMA é uma instituição esclerótica e hiperburocratizada onde os mais simples procedimentos (tais como mudar uma lâmpada que não funciona, ter aceso à nota de um exame e à correspondente certidão, adquirir um livro para a biblioteca ou ter resposta final para um pedido de equivalência) demora meses, por vezes anos (não é brincadeira). A confusão de regulamentos e formulários (dezenas, com a sua correspondente papelada) é tão grande, a espera da sequência de autorizações que é preciso obter para mexer numa vírgula de um assunto insignificante é tao interminável e a falta de sensibilidade dos quadros de chefia da UMA perante novas necessidades é tão flagrante que qualquer tentativa de emular modelos de internacionais torna-se numa quimera. Também não ajuda o facto, amplamente contrastado, de os funcionários mais proactivos serem tratados com absoluta indiferença, através de silêncios administrativos e denegações. Nos últimos tempos, e para referir apenas um dos vários episódios grotescos, os alunos (os grandes sponsors da instituição) foram impedidos de aceder às instalações da Penteada nos fins-de-semana para exercer o seu direito e dever mais fundamental, o estudo. Há pouco apercebi-me que em termos de orçamento a UMA é, ao contrário de outros organismos, incapaz de se financiar minimamente com fundos privados. As vias de colaboração com outros organismos convertem-se automaticamente num pesadelo burocrático onde o parceiro e o sponsor terminam por desistir. A percentagem de fundos privados que entram no orçamento total da UMA é, em consequência, ridículo (verifiquem e comparem sff), pondo em risco a supervivência da própria universidade e obrigando ao Estado, ao aluno e, em definitiva, ao povo a assumir despesas desnecessárias via impostos e propinas. É a solução destes factos (objetivos e verificáveis), e a discussão periódica de indicadores de qualidade (ou seja, RESULTADOS, essa coisa enfadonhamente concreta e visível que devemos exigir de uma instituição subsidiada) os verdadeiros desafios da UMA, não a construção de espaços ajardinados, como já ouvi dizer, e outras lengalengas tencionadamente narcóticas mas notoriamente vazias que o máximo responsável da instituição tem vindo a manifestar. Afinal até poderíamos chegar a descobrir que as desistências no início do ano escolar e os problemas de colocação que os alunos da UMA enfrentam (outro dado dramático e objetivo) devem-se, em realidade, ao mais que deficiente funcionamento da nossa "universidade de referência".