A fome alastra nesta Região com cerca de 25 mil desempregados. É a fome que os ‘trutas’ do regime decretaram, esconderam enquanto puderam e que, agora, sem dinheiro, nem projectos, exibem sem vergonha com o intuito desesperado de receber ajudas externas.

Cabia-lhes dar sem hesitações, nem cálculos o pão para a boca dos cidadãos que propositadamente enfraqueceram. Sabiam que um povo de barriga vazia exige apenas o essencial, descura pormenores e é eternamente grato, mesmo aos que ditam miséria, fazem crescer a pobreza e obrigam o povo humilde a esticar ostensivamente a mão por tudo o que é canto.

Os ‘trutas’ mostram-se agora atentos ao flagelo que ignoraram. “Há mais de 10 mil alunos com carências alimentares e cerca de metade já come pequeno-almoço na escola”, admite o secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar. “Os nossos bispos sentem como seus os problemas por que passa o povo, carências que se têm agravado ultimamente, mesmo a nível alimentar. Já não se trata de nível de vida com dignidade, mas de questões de subsistência, de matar a fome", assume o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa. “Devíamos procurar soluções para os desempregados, os sem-abrigo, os que passam fome e caíram num patamar de pobreza que nunca imaginavam”, segreda um escriba do regime no ‘JM’ de ontem, jornal de uma diocese rica, mas também cúmplice do esbanjamento anual de quase 4 milhões de euros em propaganda ideológica e branqueamento de asneiras governativas que deixam à fome milhares de madeirenses.

Chegam-nos relatos de gente que dispensa meio ordenado para dar de comer a quem precisa; que há listas de espera para a escassa ajuda alimentar disponível; que muitos emigram à procura do pão que aqui lhe é negado; que alguns dos nossos mais frágeis já se vendem para não deixar a família sem sustento; e que, por incrível que pareça, andam por aí umas guerrinhas de paróquia, protagonizadas por instituições que deviam lutar para levar os alimentos onde fazem falta, mas não suportam a ideia de haver um Banco Alimentar e de perderem no futuro datas para os peditórios do costume. Cresce o número dos que procuram a sopa dos pobres, dos que frequentam as cantinas sociais; dos que batem à porta do vizinho a perguntar por sobras e dos que vão ao lixo na esperança de encontrar uma refeição.

Os ‘trutas’ deixam morrer à fome as fêmeas para que possam continuar a ser únicos e imprescindíveis. A esta gente que borra a pintura sempre que abre a boca ou se põe a escrever só lhes interessa o umbigo, o próximo frete e a hipotética utilidade existencial ditada por um pedido desesperado de emprego. Querem lá saber de sonhos, projectos, soluções, ideias e diálogo. Isso são dádivas para ganhar bolor numa qualquer gaveta dos gabinetes que nem frequentam em dia de trabalho.

Mais uma vez nas próximas semanas todos nós teremos a oportunidade de contribuir para resolver este problema crescente e que obriga a intervenção responsável. Por muito que nos custe e nos apeteça mandar quem pede para a porta da Quinta Vigia, da Assembleia Legislativa ou do Paço Episcopal, é nossa obrigação dar de comer a quem tem fome. Só uma sociedade fortalecida é capaz de enfrentar desafios imprevisíveis ditados pelo desgoverno assumido. Só com maior igualdade de oportunidades poderá haver paz social. Só preservando a dignidade humana poderá haver futuro.

Convenhamos que perante tamanho drama, os amuos dos governantes sedentos de vitimização roçam o ridículo, as patetices da política doméstica entretida com guerras de protagonismos configuram mediocridade e os delírios do escriba de cabeça enfeitada e… perdida, nem chegam a migalhas.