A esmagadora maioria dos cidadãos portugueses vê-se confrontada com, muito provavelmente, algumas das políticas mais austeras que o país alguma vez registou. Neste contexto, há quem tenha ambiciosos objetivos de fazer a nossa economia crescer, através de medidas, que, em abono da verdade, nunca foram devidamente explicitadas, mas que têm a particularidade de se compadecerem com políticas contraccionistas. É bom lembrar que o aumento do produto, ou se quisermos, crescimento económico sustentado, é essencialmente uma meta de longo prazo, e, para que seja uma realidade, deverão ser implementadas reformas estruturais, as chamadas "suply-side", para melhorar substancialmente a qualidade da oferta. Refiro-me, concretamente, ao estímulo da natalidade, aposta declarada na qualificação, competitividade do sistema fiscal, incentivos para que o sector privado invista em I&D, entre outras. O crescimento no curto prazo - não sustentado - esse, só se pode efetivar à custa das chamadas políticas "demand-side"- conjunturais - que se configuram, por exemplo, em políticas expansivas em momentos de recessão. Em Portugal, perante este quadro, apenas é possível fazer uso de políticas orçamentais, como aumento da despesa pública e diminuição da carga fiscal, com o objectivo de estimular o consumo e o investimento, e, por conseguinte, a procura interna, o que logicamente, não se está a verificar. Milagres para crescer, na economia, como em todas as outras áreas, evidentemente que não os há, todavia, colocar, neste momento, no mesmo prato da balança austeridade e crescimento também me parece uma falácia descomunal.
José Rafael Freitas, Colaborador da AAUMa