Não é por acaso que a vela regional, desde há muitos anos a esta parte, tem garantido um papel indiscutível no panorama do desporto regional e da vela nacional. Essa posição tem sido cimentada não só pelos resultados que esta modalidade, nas suas variadas vertentes - vela de cruzeiro e vela ligeira - tem alcançado a nível nacional e internacional, mas também pela mudança de atitude que este desporto foi incutindo na população em geral, criando uma aproximação directa com o mar e fomentando uma verdadeira cultura náutica. Tal deve-se em grande parte, ao facto da capital do arquipélago, dispor de um espaço de apoio para a prática deste desporto impar e insubstituível: São Lázaro! Com efeito, o molhe de protecção do porto do Funchal, proporciona aos praticantes da vela, um abrigo que lhes permite um acesso ao mar, independentemente das condições meteorológicas que se verificarem. Ora, tal é não só de extrema importância para o praticante assíduo, seja um velejador de fim de semana, seja um atleta Olímpico, mas é de fulcral importância para o iniciante. Por essa razão, é de facto possível dar formação contínua ao longo de todo o ano na baía do Funchal. Os clubes sediados em São Lázaro têm sabido aproveitar esta enorme benesse estrutural. Hoje em dia, com particular incidência ao fim de semana, é possível depararmo-nos com o espectáculo que é a baía do Funchal colorida por inúmeras velas, desde os cruzeiros, passando pelos optimists, lasers, acess e pranchas à vela. Sinal de esta modalidade segue um caminho estruturado, com uma base bem implementada e com promessas de um futuro risonho. No entanto, o horizonte é indefinido. Como se estivéssemos a entrar num banco de nevoeiro, sem certeza de encontrar o rumo certo ou de, pior ainda, encalhar num rochedo escondido. Sem dúvida que a requalificação de São Lázaro é um imperativo para a cidade do Funchal. Resta saber se haverá sensibilidade para levar em linha de conta o trabalho de décadas dos clubes do Funchal...

João Rodrigues, Velejador