Maria Gomes Há uma relação de amor-ódio entre mim e o mosquito: ódio meu por ele e amor dele por mim. É nesta relação estranha que temos vivido nos últimos sete anos, com algumas consequências mais desastrosas como um olho absolutamente fechado por causa de uma picada de amor do dito cujo, entre outras que não quero recordar agora. Muito insecticida depois, after-bite, repelente, retirar água dos pratos, etc., finalmente aconteceu. Esta semana tive a dengue, o que infelizmente já não é novidade para muitos. Eu, ainda muito combalida pelas dores horrorosas que passei, pela febre que sofri, pelas diarreias que padeci e que me deixaram esgotada, só pensava no que é que foi feito para tentar erradicar o maldito mosquito daqui para fora. Ao que parece não foi o que deveria ter sido, porque para alguns, as palavras daqueles que sabem do que falam vêm sempre de especialistas de quarta classe. A minha humilde pessoa só pensava que não há mesmo justiça neste mundo se quem se descuidou não pagar a factura. Eu tenho um marido para cuidar e agora, com esta história da dengue, se vem o segundo nível para aí, eu vou ser atacada outra vez, só que agora de forma muito mais dura podendo mesmo ser letal. Foi o que me disse o meu médico. Se eu tivesse poderes para isso poderia rogar uma praga a desejar que fossem todos, mas RIGOROSAMENTE todos os políticos mordidos e que eu soubesse disso. Não tenho esses poderes e, se os tivesse, nunca os usaria. Proponho, no entanto, que todos aqueles que já sofreram com a dengue se unam numa associação. E porquê? Não tarda muito seremos alguns milhares, não duvidem disso; sendo assim, quando chegar a altura das eleições, nós sempre podemos retribuir o favorzinho que os políticos nos dispensaram. Ah! E não me falem de crise porque esta história já começou há sete anos!!! Houve dinheiro para obras estúpidas e continua a haver, mas para aquilo que deveria ser feito, nada! Pensem só no Turismo. A sorte destes governantes de meia-tigela é que até mesmo os turistas são parvos como nós: nunca pensam que isso possa acontecer com eles. Sem turismo não há tachos, piores ficam as pessoas que trabalham no sector. Bem diz o meu marido: quando não nos sabemos pentear, até os cabelinhos de trás das orelhas atrapalham (não é bem assim, mas eu sou uma pessoa educada). Só não estou é com boa vontade nenhuma em relação a este assunto e a ninguém. Quem concordar comigo que assine em baixo; quem não concordar, obrigada na mesma. Uma palavra de apreço para o Dr. Rudi Carvalho, que foi de uma paciência e eficiência notáveis para comigo. Obrigada, doutor. Dixit.