O desporto automóvel regional vai atravessar nos próximos anos um período extremamente difícil, não só devido à actual conjuntura económica e financeira, mas sobretudo devido à atitude passiva dos dirigentes que não quiseram nem souberam antecipar uma crise mais que previsível. A constante alteração da regulamentação internacional e nacional, da qual andamos sempre a reboque, com a consequente escalada de custos que influenciou o equilíbrio de forças entre os praticantes, tornou o campeonato inacessível e até pouco apetecível. Até mesmo no seio das organizações das provas temos vindo a assistir a uma competição pouco saudável de protagonismos, que nada tem contribuído para a modalidade. Foram todos avessos às mudanças estruturais que se impunham, no sentido de aumentar a competitividade e reduzir custos. Ao invés, manteve-se um campeonato de fachada numa região com grandes limitações de apoios por parte do tecido empresarial e cuja vitalidade foi quase sempre conseguida à custa do investimento pessoal dos praticantes. A FPAK de Luís Pinto de Freitas tornou-se apenas num sorvedor de dinheiros em taxas, licenças e inscrições, que continuadamente assobiou para o lado quando se tratava de resolver os problemas. A questão das matrículas e das inspeções às viaturas com mais de quatro anos, são o maior exemplo da sua incompetência. A própria AMAK não trouxe nada de novo ao desporto automóvel regional, e acabou por promover um troféu que apenas serviu para dispersar meios e apoios, dividir os praticantes, e alimentar o ego de alguns dirigentes. O Rali Vinho Madeira funcionou sempre como o "motor" do Campeonato de Ralis da Madeira, e a sua saída do Europeu acabará por ter reflexos na modalidade, pela visibilidade e retorno que possibilitava aos patrocinadores, e que inevitavelmente se irá refletir internamente nos praticantes. Ao estado a que o desporto automóvel chegou, quaisquer soluções pecam por tardias dadas as limitações impostas pela actual conjuntura. Mas não é certamente com a manutenção do actual número de provas que se aumentará a quantidade de praticantes. E tenho sérias dúvidas que um campeonato aberto a todas as viaturas potencie a qualidade. Dificilmente serão importados WRC, Kit-Car 2000, e mesmo antigas viaturas turbo grupo A, quer pelo preço, manutenção e dificuldade na aquisição de peças, quer pela questão das matrículas e inspecções. A falta de prazo de validade na regulamentação deverá ter também grande peso na hora de decidir um eventual investimento por parte dos pilotos e equipas. Aguardemos no entanto pela publicação da regulamentação do Campeonato de Ralis da Madeira 2013, não vá "a montanha parir" outra coisa que não o anunciado pelo director da FPAK na Região. É que a federação já nos habituou a desagradáveis surpresas. O boletim clínico aponta para uma doença de tratamento prolongado, esperemos que o remédio prescrito ajude na cura e não mate o paciente!

Roberto Fernandes, Antigo piloto de ralis