Indalécio Gois Sou um dos muitos jovens que após a conclusão do curso (Gestão de Empresas), encontra-se sem trabalho e a aguardar uma oportunidade para iniciar a vida profissional. Até conseguir algo compatível com o meu curso, decidi procurar trabalho na área da restauração, uma vez que já tenho alguma experiência no ramo, tendo aceite uma oferta de emprego para barman no Restaurante "Bom Prato", localizado no Centro Comercial Anadia - Funchal, mas a título experimental e por 15 dias. No entanto, o proprietário do restaurante informou que a questão da possível remuneração mensal a receber, o horário de trabalho, os dias de folga e as condições do possível contrato, seriam discutidos noutro dia, tendo depois dito: "…apresenta-te amanhã às 11h00 (6 de Novembro, 3ª feira), depois falamos sobre tudo isso ". Entusiasmado com esta oportunidade e com algum dinheiro que possuía, comprei 2 camisas brancas, 2 calças pretas e 1 par de sapatos, uma vez que não tinha vestuário do género. Os dias foram passando e sem informações sobre a minha situação, o desânimo começava a instalar-se, porque as condições de trabalho eram de uma autêntica escravatura. Começava às 11h da manhã e saia às 22h30, sem tempo para comer algo e direito a folgas. Mais, no final do dia, era obrigado a remexer todo o lixo para fins que eu próprio desconheço. Contudo, mesmo desiludido e cansado, não desisti! Ao fim de alguns dias fui confrontando com uns míseros 75€, entregues pelo proprietário, como pagamento de todo o serviço prestado durante aquele período e, a consequente dispensa, justificando-se não ter gostado do meu trabalho. Resumindo, 5 dias a trabalhar, 12 h/dia e consecutivas, sem hora de almoço e folgas, para receber esta esmola, que equivale a 15€/dia e 1,25€/hora?! Isto é pura escravatura que deve ser denunciada e punida severamente pelas entidades competentes. Tanto investimento que fiz e entusiasmo que criei, para isto?! Perante tudo isto e para evitar que outros passem pelo mesmo, decidi denunciar o caso à Inspecção Regional do Trabalho, a fim de tomarem as devidas providências no sentido de combater e punir os prevaricadores e uma "máfia" instalada e assim, prevenir e manter adequada os direitos dos empregados e dos empregadores. Comportamentos destes, considerados selvagens e retrógradas, são de lamentar no tempo actual e num país dito democrático.