Gil Canha Na edição deste último domingo, o sr. Eng. Daniel Figueiroa, responsável pelos serviços de hidráulica do G.R., repetiu a mesma mentira institucional do costume, defendendo que é necessário retirar a montante, os materiais (inertes) que existem em excesso nas nossas ribeiras, para garantir a segurança das populações (!) Felizmente, nem todos os madeirenses são burros, para engolirem facilmente estas artimanhas, aliás, as pessoas já vão percebendo que por detrás desta mascarada "pseudo técnica" há um negócio de milhões, originados pela "fome" de pedra, necessária para consolidar a obra do aterro na frente-mar da nossa cidade e respectivos "esporões", que o mar insaciável vai levando. É preciso não esquecer que na Marina do Lugar de Baixo, os nossos governantes também utilizaram o mesmo pretexto para "rapinarem" e aplanarem completamente a Ribeira da Ponta do Sol, que neste momento é uma espécie de arma de cano de alma lisa, pronta a disparar a sua "carga torrencial" sobre a indefesa Vila da Ponta do Sol. Além deste velho pretexto, inventaram agora outro, ainda mais engenhoso e perverso, que são as obras dos AÇUDES. E debaixo desta vil desculpa, toca a "esgravatar" e a roubar pedra, ribeira acima, até quase às nascentes. Efectivamente, a construção dos açudes é importante para não deixar material solto chegar à cidade, mas essas obras têm que ser circunscritas e localizadas, e nunca um salvo-conduto para o saque dos nossos recursos naturais, nem para porem em perigo a segurança dos cidadãos. Para os senhores leitores perceberem melhor, imaginem um paciente com uma apendicite aguda. Os médicos não lhe fazem um corte dos genitais às orelhas, lhe revolvem os intestinos, o fígado e os pulmões, de um lado para outro, como se estivessem a inspeccionar uma mala, num controle de aeroporto, para depois retirarem uma pequena "tripinha" putrefacta. Claro que não?! O corte é cirúrgico e localizado, que mal se nota nem põe em perigo a saúde geral do doente. É por isso que a justiça tem que intervir rapidamente, para não permitir que os interesses de alguns ponham em causa a segurança de muitos, mesmo que seja necessário prender alguém…