Tocou o sino estridente e o alarme foi declarado! O mosquito "egípcio" que convive simpáticamente, nos recantos aquáticos, dos nossos quintais e jardins, acabou picando um indivíduo com dengue e passou ... a passar a doença a outros tantos ... tantos quantos conseguiu efectivamente picar! Nada que já não fosse esperado e do nosso inteiro conhecimento ... um dia viria a acontecer - já cá estava a viver em paz e sossego, cheio de saúde desde há 7 anos, o dito veículo voador transmissor. A Madeira é uma ilha! Muito do que cá nos chega vem de barco ou avião; se for prejudicial tem de ser destruido, ou então, levado de volta daqui para fora ... de barco ou de avião. Porque não são só os mosquitos! São insectos variados, macacos, cobras, passarada tropical, que aqui entraram ... e não se sabe por onde páram! Quer seja nas doenças, quer seja em outras situações que não na saúde, poucos ligam á prevenção! Basta-nos referir os casos de pessoas que têm o quadro vacinal desactualizado ... e ainda por cima neste país as vacinas continuam de borla! Os Serviços de Saúde explicam as normas, os cuidados, as atitudes para se fazer uma prevenção eficaz - seja lá do que for - mas depois, mais de metade não liga nenhuma, ... como também mais de metade não vota nas eleições e mais de metade não faz pisca no trânsito! É o que alguém classifica de "faz parte" ... duma maneira especialmente nossa, de ser e de estar! Tem havido informação, sobre a maneira de evitar a progressão do mosquito, mas o que se verifica é que não se actua tomando as medidas adequadas ou então as pessoas fizeram alguma coisa no início e depois relaxaram, como sempre. Todos estes casos de irresponsabilidade são muito comuns no nosso país e citando o exemplo de doentes, com a vulgar hipertensão arterial e sobre o seu tratamento - em 2 milhões de doentes existentes em Portugal, metade não sabe que a tem; a outra metade - que sabe - trata-se, e destes, só 20%, isto é, só 1 em cada 5, está bem tratado. Porque os outros 80% estão se ralando, não fazem os tratamentos ... e por aí adiante! E então agora, com o dengue instalado na nossa ilha, temos de reactivar as medidas consideradas suficientes, para evitar a progressão do bicho, além de evitar apanhar a doença no dia a dia. Seja lá o que se tiver de fazer tem de ser a 100%, sob pena de continuar tudo na mesma. E o pior, mesmo o pior, é que se trata exactamente em fazer, o que menos gostamos : a PREVENÇÃO! No aspecto turístico do problema, não me ser parece nada alarmante, mas seria conveniente evitar uma desnecessária histeria. Afinal, Miami e Rio de Janeiro têm dengue e ninguém deixa de lá ir por causa disso! Tomar cuidados acrescidos ?? - Obrigatório! Fazer o trabalho de casa, para todos sem excepção! Temos uma doença tropical nova! E logo virá uma outra! Porque este mosquito "egípcio" transmite outra doença tropical - para a qual existe vacina. Aí, podemos ficar um pouco mais descansados! Estou propositadamente a tratar este assunto com, sal grosso, alho cru e pimenta preta ... porque me lembrei outro dia de um esquecido provérbio popular - " Mais vale prevenir do que remediar"! À partida, o dengue, na forma mais comum, com este tipo de mosquito, não mata, mas pode concorrer, para deteriorar gravemente, organismos debilitados por outras doenças. A prevenção tem de ter sucesso nos dois sentidos: diminuir o número de mosquitos e evitar a propagação da doença. Esta é a actual realidade regional! Porque o problema não é dos outros: o problema principal é nosso! E porque o mosquito, está em toda a parte, passa a ser um problema de todos nós ... do Porto Moniz ao Caniçal! E o sino já tocou!! ... há sete anos!!
José Manuel Morna Ramos