A actual sociedade tecnológica de informação, entre recentes exigências e paradoxos, designadamente, novas qualificações profissionais e rápida obsolescência dos saberes, novos modelos de produção e de organização do trabalho, exacerbação da concorrência e uma grande dificuldade no mercado de trabalho, reclama uma colossal mudança na configuração da empregabilidade, marcada pelo desajustamento dos perfis competenciais de trabalhadores requeridos pelo mercado da oferta e da procura. Esta perspectiva é repetidamente apregoada nos múltiplos discursos políticos, sociais e económicos, que nos invadem até às profundezas da nossa existência e nos colocam perante uma receita simplória que se resume ao "convite à emigração". Além destas inquietudes, o mercado de trabalho reconhece que o cerne da questão não se insere, exclusivamente, na formação dos trabalhadores, e no reconhecimento das experiências adquiridas ao longo da vida, mas valoriza fundamentalmente a necessidade destes possuírem um leque alargado de competências intra e interpessoais. Avançando, ouso afirmar que tive o benefício de confraternizar com um referencial de competências - o académico, o profissional, o homem de projectos, o familiar, o amigo que, apesar da luta titânica pela vida, cedo demais, deixou de estar entre nós: Carlos Rebolo. No entanto, apesar da sua ausência, o meu padrinho, Carlos Rebolo, continua vivo nas minhas memórias e nos exemplos de competências e humanidade que legou.

Francisco Capelo - Colaborador da AAUMa