Por todo mundo, cada país, região ou localidade procura argumentos para afirmar a sua notoriedade e, dessa forma, embalar em impulsos de desenvolvimento que resultam da atração de interessados que, por via do consumo, estimulam as respectivas economias gerando vários e importantes efeitos sobre toda a sociedade. É neste enquadramento que se assiste às disputas internacionais pela organização de grandes eventos, como sejam, entre outros, os campeonatos mundiais e continentais de futebol ou as regatas e os ralis internacionais. Naturalmente que nem todos estão à medida desses grandes eventos mas todos podem estar à altura de importantes acontecimentos que, por si só, representam a dimensão adequada para a realidade de cada um. Na última Conferência Anual do Turismo foram identificadas duas oportunidades de grande relevo para a Madeira. O "Momento 500" e o "Momento 600". Deste último, a celebração dos seiscentos anos da descoberta da Madeira, já aqui deixei opinião em Junho de 2011. O "Momento 500" que celebra os quinhentos anos da Diocese do Funchal ocorrerá em 2014. Trata-se da evocação daquela que foi a primeira diocese portuguesa da Igreja Católica instituída fora da Europa e que permitiu que a Madeira se tornasse na plataforma estratégica da expansão ibérica para os novos mundos da Europa Cristã. Constitui, esta comemoração, um magnífico argumento para a afirmação da Madeira no exterior, com elevado potencial ao nível da notoriedade e da atração de nacionais e estrageiros a este território. É, sem qualquer dúvida, uma enorme oportunidade para o turismo desta Região e, muito mais que isso, um contributo inequívoco para o crescimento cultural dos madeirenses. Este género de acontecimento reveste-se de características que fazem dele único, imperdível e de carácter profundamente estratégico para as regiões onde ocorrem. Assim se considera porque apresenta um horizonte temporal marcante, permite a fixação de objectivos de médio e longo prazo, tem um significado determinante, apresenta-se repleto de cultura, é motivador e facilmente envolvente, tem potencial ilimitado para toda a Região, é transversal a toda a atividade económica e social, é gerador espontâneo de conteúdos - desde a educação ... ao turismo, permite ambientes colaborativos inter-institucionais, assenta na comunicação e na partilha, valoriza a aprendizagem inter-cultural, faculta uma intervenção multidisciplinar, requer e determina cooperação, articulação e coordenação e motiva itinerância exterior. O momento particular que vivemos reforça a necessidade de atender a esta oportunidade, com atitude e elevação, aproveitando-a como impulso para uma intervenção estrutural que bem poderia facilitar o ordenamento cultural deste território e, assim, mais uma conquista para a Região e para o nosso turismo que bem precisa.
Eduardo Jesus - Economista