Mário Mascarenhas Alencastre Horror! Na escuridão, uma idosa senhora, ofegante, sobe apressadamente, a escadaria de sua casa, ao ouvir sucessivos gritos: Ajudem-me! Ajudem-me! Do quarto do seu querido filho. Entra de rompante, vislumbrando o filho em pelote, chorando, que exclama: Que bom, teres chegado mãezinha! Querido Gasparzinho, que tens, que aconteceu? Sonhei ter falecido. Estava no Além. Uma figura pavorosa perguntou-me: Nome - País. Gaspar, Portugal. Mexendo, num aparelho estranho disse-me: desinfeção! Que é isso? Perguntei. Portador, Dengue! Mas, eu não estive na Madeira… Não mintas, já não estás em Portugal! Berrou-me! Serás castigado. A tremer, senti, outra figura, ao meu lado reconheci, logo quem era. Um anjo, certamente, o teu Anjo da Guarda…Meu filho! Mãezinha, que anjo, qual carapuça! Era Salazar! Mas, Gasparzinho, ele, está no Purgatório, expurgando os seus pecados, que dizem, ter cometido… parece, mesmo muitos! É isso, Mãezinha, ele disse-me: vens comigo, terás que limpar o teu interior, dos malefícios causados: fome, suicídios, falências, desemprego, lágrimas. Uma longa, muito longa, e dolorosa experiência para ti… digo-te, eu, que ainda lá estou. Terás que aceitar, Gaspar para posterior salvação! Mãezinha, vou apresentar a minha demissão. Na televisão, a todos, vou contar o sonho-aviso, que tive! Gasparzinho, precisas é ir à bruxa, para afastares as pragas, que te pedem. É perigoso, publicamente, falares do teu pesadelo, de avisos do além… Porquê… mãezinha? Como está o país, ainda te internam, por perturbações, distúrbios, mentais. Quem sabe o que farão contigo! Dirão todos, inocentes, que toda a culpa, é tua, de mais ninguém! Tem muito cuidado. Ouve, a tua mãezinha, Gasparzinho, querido!