Têm sido muitas as queixas dos social-democratas vítimas de maus tratos por parte do imperador e dos barões a quem o mesmo delegou poderes insondáveis para liquidar aspirações de quem se mexesse, apresentasse alternativas ou tivesse ideias de jeito para a Madeira. Dizem-nos que foram dispensados de pensar, de propor e de ser úteis. Pior, admitem ter sido desrespeitados por quem menos esperavam, o agora “meio líder” sempre intolerante.

Depois de tudo o que aconteceu nas últimas semanas, este PSD-M não se enxerga.

Como é que o PSD permite que obras inauguradas duas vezes, como a Lagoa do Santo da Serra, continuem a rivalizar com a marina do Lugar de Baixo, não funcionando para o fim a que estavam destinadas?

Como é que o PSD pode candidatar a presidente de um governo um secretário que demora cinco anos a pôr uma ETAR a funcionar e quando o faz, sem cautela, provoque vómitos na população?

Como é que o PSD admite que um secretário regional tenha a veleidade de assumir publicamente como normal que em Novembro haja alunos com direito à acção social escolar sem manuais?

Como é que o PSD permite que as bolsas prometidas pela Fundação do partido a vários estudantes não estejam a ser pagas?

Como é que o PSD pode candidatar a presidente de uma Câmara um autarca que, para além de derrotado no seu reduto nas últimas directas, dispense ajuda em pleno temporal?

Como é que o PSD pode admitir que os seus principais responsáveis evitem as bases, a quem tanto devem, falando só para os alegados notáveis de cada concelho, com os resultados que se conhecem?

Como é que o PSD ainda mantém no comando da outrora milionária, mas agora falida, máquina partidária o principal responsável por uma estratégia ridícula que só não deu totalmente para o torto porque fez jogo duplo?

Como é que o PSD tolera que o seu líder reeleito ignore conselhos práticos que visavam a unidade do partido, mesmo que hipócritas, e em minutos transforme a hipótese de cooperação em ofensas escanzeladas?

Como é que o PSD dispensa dos seus quadros talentos com valor, gente com dignidade que não se vende aos marginais a quem foi dado palco e margem, nem suporta mais enxovalhos execráveis entre os seus membros?

Como é que o PSD não exige remodelação imediata e profunda que retire de vez da cena governativa quem é egoísta, quem denota insensibilidade total para os dramas do povo e se assume como problema, impedindo toda e qualquer solução benéfica para o colectivo angustiado?

Como é que este PSD se deu ao luxo de violentar a liberdade dos seus mais destacados membros, obrigando-os a prescindir de ter opinião no DIÁRIO, quando se sabe que um dos seus piores males é estar distante de quem decide, os eleitores, a quem não chegam as propostas sem ser as do chefe?

Como é que este PSD desceu tão baixo se sabia de antemão não ter agora elevador financeiro que o projecte para patamares superiores?

Como é que este PSD mantém a ambição de querer continuar a mandar nos destinos numa Região já sem poderes, que não sejam os de espatifar o pouco que resta, promovendo familiares e amigos ao lugares que vão ficando vagos, para que, quando voltar a haver directas, não haja meio partido amuado por nunca ter tido um tachinho?

Como é que o PSD deixa que o delírio e ódio tome conta da gestão das prioridades, e que num tempo de austeridade seja cúmplice do desvario que é desterrar três milhões de euros num jornal de propaganda política de um homem só, verba que tanta falta faz em áreas carentes de investimento, como a saúde e ducação?

Como é que um PSD assim existe embora 60% dos seus militantes não paguem as quotas, optando deliberadamente por afastar-se do pântano?

O PSD que responda sem vergonha. E pode começar já no próximo Congresso Regional, permitindo que a comunicação social possa acompanhar os trabalhos. É que se fecharem as portas saber-se-á quase tudo na mesma, embora sem poder ver a cara com que alguns vão ficar quando ouvirem umas verdades, se até lá, os prováveis corajosos, não forem aconselhados a conter a revolta.