Estamos em meados de Novembro e, de acordo com os termos da assinatura do PAEF, o Governo da República devia ter avaliado por três vezes a sua execução e, por sua vez, os respectivos relatórios deviam ser públicos e do conhecimento dos madeirenses, que foram chamados a contribuir com sacrifícios intoleráveis. Nada disto está de facto a acontecer. Mas, pior que tudo, esta falha grosseira, de enorme gravidade, parece não merecer grande atenção por parte de quase ninguém neste país. O Governo Regional está em "roda livre" e, das duas uma, ou ninguém o fiscaliza ou a fiscalização serve os interesses partidários do PSD - o de lá e o de cá! Até hoje, apenas se conhece a primeira avaliação trimestral (Janeiro a Março). Depois disso, deveria ter ocorrido a avaliação do trimestre Abril-Junho e, logo de seguida, a avaliação entre Julho e Setembro. Devia, talvez até ocorreram, mas nada chegou ao conhecimento público, designadamente junto daqueles que têm o direito de ter conhecimento exaustivo dos resultados da austeridade a que estão sujeitos. Mas afinal o que se está a passar? 1)Trata-se de puro incumprimento da República no que respeita às exigências de avaliação do PAEF? 2) esta ocultação traduz um deliberado impedimento por parte do Governo Regional no que respeita à divulgação dos resultados, procurando a manipulação da opinião pública? 3) ou então falamos apenas de um comportamento inadmissível de falta de respeito atroz pelos madeirenses? As avaliações do PAEF da RAM estão escondidas por algum destes factores ou por todos eles juntos? Não sei efetivamente. Mas algo de muito grave se passa na execução do PAEF na RAM e na sistemática ocultação da sua avaliação, dando lugar às mais variadas especulações e legítimas preocupações. Não é bom, não é adequado e encerra um puro insulto a todos os madeirenses que são chamados a cumprir, mas estão literalmente impedidos de acompanhar os resultados do seu esforço. Termino lembrando que começa hoje a 6ª avaliação da troika a Portugal, mas os portugueses conhecem bem as restantes cinco avaliações e têm conhecimento profundo do que corre bem e do que corre mal. Sabem onde falha o governo e podem avaliar os efeitos do seu esforço.
Carlos Pereira, Deputado do PS na ALM