São mais que muitas as vozes que aconselham Alberto João Jardim a sair de cena antes que seja humilhado sem precedentes. Deixar já voluntária e inteligentemente a vida pública à qual tanto deu, nem sempre da melhor forma, ganha novos contornos. É que se aproxima a hora de Jardim fazer uma opção existencial pela última vez: ou sai sem conhecer o que é uma derrota eleitoral - e para o ano há autárquicas - ou sujeita-se ao mais do que previsível severo castigo popular. Companheiros de partido - os mesmos que não perdoam as ofensas presidenciais, ou seja, que Jardim tenha tratado os seus como se fossem da oposição -, adversários políticos, comentadores e uma multidão atenta recomendam-lhe uma retirada estratégica, sobretudo agora, que se arrisca a cair na tentação de prolongar a agonia dos madeirenses. Conhecendo-lhe várias teimosias e fantasmas, não admira que até este último temporal possa ser usado para legitimar a insuportável continuidade. Insuportável tal é o efeito nefasto do estorvo, confirmando-se em cada gesto e discurso como problema quando a Madeira precisa de solução, de interlocutor activo para negociar com a Europa e com Lisboa e de novas políticas adequadas ao estado de urgência da nossa economia e de calamidade. O desnorte de Jardim é preocupante. Vimo-lo esta semana mais preopucupado com a marina do Funchal do que com o Turismo no seu todo; a fugir aos problemas com visitas de médico às zonas atingidas pelas chuvas e pelas incúrias; a sacudir do capote as culpas nas construções clandestinas, como se o surto de construção e os favores fossem do tempo de Zarco; a acusar a Igreja a quem tanto deve de não intervir na crise, ignorando que nem todos os bispos fizeram voto de silêncio cúmplice das asneiras governamentais, nem todos os padres se calam com promessas de telhas para os templos que metem água; a maltratar militares que requer quando está à rasca. Um desnorte contagiante, que cega os seus mais próximos. A 'troika' manda emagrecer as máquinas governativas - nesse capítulo o novo líder açoriano deu um exemplo a seguir -, mas por cá abrem-se vagas para desempregados políticos e engorda-se literalmente o executivo com ajudantes de campo. Um secretário regional admite como normal que depois de 2 meses do início das aulas faltem manuais escolares e nada lhe acontece. O hospital não contrata funcionários que fazem falta, mas adquire viaturas. Os autarcas da costa Norte mandam deitar entulho das enxurradas no litoral, mas com jeito o crime ambiental é do DIÁRIO que o denunciou. Os pinheiros secos que deviam ser cortados no Verão entupiram aquedutos, mas pelos vistos as urtigas também fizeram o mesmo... O jardinismo já era. Fez um ano sexta-feira passada que o XI Governo Regional tomou posse. Alguém deu por isso? Nem os próprios assinalaram a data. Vergonha pública? Só pode até porque ontem, enquanto a Madeira limpava a lama, na quinta do Santo da Serra, governantes e assessores festejavam às escondidas. Hélder Spínola, Deputado do PND Sem o espalhafato do PND folclórico, foi a Lisboa lembrar uma das reles excepções da política madeirense. O alerta para a acumulação de reforma e salário pode não passar disso. Mas já é altura do País corar de vergonha. Miguel Albuquerque, Presidente da CMF Apesar de ter quase metade dos militantes do PSD-M do seu lado, a exigir que a sua moção seja submetida a sufrágio no Congresso, não está para aí virado. Nem precisa. A máquina 'laranja', depois de espatifar milhões em vão, deu o berro. João Cunha e Silva, Vice-presidente do Governo A Câmara do Funchal lançou o alerta sobre a extracção de inertes na Ribeira de Santo António. A vice-presidência respondeu de imediato ordenando uma investigação sobre a matéria. Mudaram-se os tempos. A cidade fica a ganhar. Ana Serralha, Directora do lar de idosos O temporal bateu-lhe à porta. De repente viu-se a braços com uma nova realidade, a de ter de gerir um centro de desalojados. Respondeu à altura, acolhendo quem precisava de abrigo e desencadeando mecanismos de solidariedade. Bruno Pereira, Ajudante de Manuel António O vereador sem pelouro na CMF prestou-se ao que denomina "folhetim" e que os leitores consideram "tachismo". Não é para menos. O ainda candidato à Câmara quer um lugar para trabalhar, para ser visto ou para ser arrumado de vez?