Espero que a noite passe… olho para a rua e vejo a chuva a cair lentamente pela vidraça da janela da sala. A minha memória combate na tentativa de relembrar com nitidez tudo o que os meus olhos observaram. Tudo fluiu, mas o tempo pára, é um daqueles autores que reconhecemos logo pela sua deslumbrante escrita, que nos envolve e nos transporta para dentro do livro. Manuel Alegre, na sua obra " O Homem do País Azul" deixa claro algumas das suas vivências durante a ditadura, a guerra colonial e até mesmo sobre o exílio, conforme o leitor pode observar nos seus dez contos presentes na obra alguns vestígios bibliográficos do autor. Esta obra foi apenas publicada quinze anos depois do 25 de Abril de 1974, em 1989, devido à sua verdade camuflada. Nesta prosa está presente a busca pelo imaginário e o que é desconhecido, mas igualmente pelo real. A procura de um mundo utópico onde haja o fantasioso e o mistério. Relembro sempre uma frase que ficou em género de pirilampo na minha memória quando li estes contos "Acredita no que te digo, vai haver uma revolução no teu país e essa revolução vai abalar a Europa e a África." Hoje entendo bem, já esteve mais longe de dar-se tamanho acontecimento, pois, "a luta de libertação é um acto de cultura". Esperemos sem perder a esperança, pensando sempre nesse mundo utópico que tanto idealizamos…

Filipa Silva, Colaboradora da AAUMa