Violante Saramago Matos A notícia com este título (DN dia 7) transmite-nos que o prof. Domingos Rodrigues, além de desdramatizar, 'descarrega' para cima dos cidadãos temas como a percepção do risco adequada ao perigo ou a tomada de iniciativas para diminuir a vulnerabilidade. Ter semelhante percepção ou tomar tais iniciativas não é fácil; são matérias tecnicamente complexas, que exigem conhecimentos sólidos e fundamentados e que não estão, portanto, ao alcance imediato de qualquer pessoa. Aos conhecedores sim, a esses compete, em meu entender, uma posição clara, lúcida, séria e inequívoca sobre estes assuntos. E não se intimidarem com insultos ou processos. É sabido que há muita construção que interfere com as linhas de água e olhando para as imagens até se percebe que a grande maioria das casas atingidas são recentes. De quem é a responsabilidade? De quem quis construir ou de quem, tendo a obrigação de saber mais e de se apoiar em instrumentos de planeamento (sempre desprezados e ignorados nesta Região) licenciou e deixou construir? Parece-me óbvio que a responsabilidade primeira é sempre dos poderes públicos. E se as pessoas insistem, à revelia do projecto aprovado, a fiscalização municipal existe para alguma coisa. Ou não? Mas os erros não estão só na construção privada. Também na pública e frequentemente com fortes impactos - aliás, é impossível olhar para as imagens da estrada que corre paralela à ribeira (pg 7 da mesma edição) e não ficar com a sensação que foi ela que bloqueou o escoamento dos caudais de lama para o curso de água contribuindo, assim, para a inundação das casas. Sempre que há tragédias, a culpa mora algures - agora são as alterações climáticas, mas já tivemos outras variantes. E fazem-se muitas perguntas, mas há duas que nunca têm resposta: O que é que acontece, a montante, para taludes desabarem sobre casas e quebradas bloquearem estradas? Será que nada foi feito que facilitou o desastre? Vi na edição on-line do DN que existe uma publicação chamada "Sente-se seguro?". Finalmente a formação das populações, pensei, esperando que fosse o primeiro passo para resolver um problema muitíssimo sério, sistematicamente (ou conscientemente?) descurado. Como não a conhecia, fui à procura. Encontrei-a e constatei que se apresenta como 'Um Guia de Auto-protecção para os Cidadãos'. Depois de a ler, pergunto-me como é possível que um documento que devia ser uma 'bíblia' para a segurança das pessoas seja praticamente ilegível, com textos bastante densos em letra pequenina impressa a branco nuns filtros transparentes sobre fotografias a cor? Quantas pessoas conseguem ler aquilo? A Associação de Municípios da Região faz uma tiragem de 1 000 exemplares para uma população de 250 000 habitantes! Para quê? Para mostrar como gasta dinheiro? Diz o título do artigo "Não estamos a aprender". É pior: Não estamos a educar!