Conheço uma fazenda insular, governada por um clone daqueles coronéis do cacau, que o grande Jorge Amado nos prosou. O coronel é o alfa e o ómega de tudo o que mexe, e o "voto de cabresto" está assegurado na blindagem da República Velha, como dos inícios do século XX no nordeste brasileiro. E esta consciente ordem das coisas, é a marca fóssil da propagandeada modernidade, sobre um enviesado costume. Tal como alguns países, há partidos a precisar de resgates, pois o seu fim - que não é apenas coleccionar vitórias - deveria realizar a democracia. Desde as suas entranhas, a tolerar a diferença sem implodir e derramar esgoto em pasquins. Hostilizar a distinção, talvez explique o anacronismo e a democracia manca da "roça madeirense", transformada num útero fratricida dum escanzelado tubarão, onde as crias se devoram. Tal como na roça de cacau, não sei se o sertanejo revoltado, derrubará o coronel viciado no poder, mas inclinar-me-ia por opção, para um ambiente sadio de transição, como a que ocorreu nos Açores, onde o César vive sem ter sido traído, nem o Cordeiro que lhe sucedeu, foi degolado. E porque a roça tem fome de ajustes, abram as janelas, para renovar décadas de ar com mofo. Que os alísios soprem a testa suada da produtividade baratinha das roças dos coronéis. Que se arregacem as mangas com repelente ao despotismo. E porque há promessa de mais dificuldades, e os deputados encarneirarão pelos seus partidos - ignorando o povo que os elegeu - aguardo que o Silva de Belém - "que cumpre e faz cumprir a Constituição" - não insista em mais um perdoado orçamento ferido de inconstitucionalidade. Se as mudanças não se fazem de sofá, muito menos o magistério presidencial, - por muito escondido que esteja do povo - poder-se-á limitar às catarses "facebookianas", desde o interior do palácio.
Donato Macedo, Lic. em Comunicação