Amaioria das pessoas não entende o que faz um músico. Muito menos percebe que a música pode ser uma profissão a sério. Muitas são as vezes em que, depois de ser apresentado a alguém como músico, surja da pessoa a pergunta "…tem outra ocupação?", querendo dizer, "tem outra profissão?" Os conhecidos, que se cruzam na rua ou no café, costumam perguntar: "Então como é que vai a música?", significando para alguns, "então, quando é que encontras outro caminho, uma profissão?" É preciso então contrapor, se nos apetecer, que a música conjuga conhecimentos e saberes que a tornam única e importante, nomeadamente das ciências que a suportam: Matemática (divisão rítmica e forma musical); Física (tudo o que se relaciona com o som e instrumentos); História (musicografia e musicologia); Antropologia (significado da música para as diferentes culturas e civilizações); Pedagogia (métodos e manuais para todas as idades); Estética (estilos musicais e períodos artísticos); Psicologia Comportamental (aplicada por exemplo na musicoterapia); Eletricidade, Eletrónica e Engenharia Informática (instrumentos, amplificação, gravação, edição sonora); Marketing e Gestão de Produto (divulgação da música e promoção dos projetos musicais); Arquitetura, Engenharia e Design (técnicas e tecnologias aplicadas à construção e restauro de instrumentos) e a Arte da Composição e Improvisação (exclusiva dos músicos e que trata da comunicação através da música, tornando esta arte numa linguagem universal). Poderíamos acrescentar mais, não temos espaço. Estar na música, é ter consciência deste universo que a rodeia. É isso que nos ocupa músicos, enquanto profissão - a sério.

Vítor Sardinha, Músico