1 - Os políticos são todos iguais! Deviam ganhar o ordenado mínimo! Isto só vai com dois Salazares! Fechem a Assembleia! É tudo a roubar e a malta a pagar! Só vota quem é tolo! É tudo corrupto! Queremos ser espanhóis! (ler com voz de bêbado e aos berros).

Aquilo até pode soar bem, para alguns, garantir muitos ‘likes’ no facebook e palmadinhas nas costas - como no tempo da escola em que o cábula da turma dizia que não sabia para que é que servia a Matemática (e tudo o resto) e a malta, com vergonha de parecer mal, concordava -, mas não deixa de ser um monte de asneiras. Daquelas que até ajudam quem ganha com a ignorância do Povo. É a conversa de tasca que saltou para as redes sociais – sem ser preciso a aguardente – e até chega às televisões e aos comentadores. Repetir aquelas frases, muitas vezes sem alterações, dá ‘share’ televisivo e mensagens de apoio. Não importa que sejam dos mesmos telespectadores que gastam electricidade a ver aquelas aberrações do ‘big brother’ (agora tem outro nome...) ou dos gordinhos a dançar. Garante o lugar e isso é que importa.

Hoje, é moda dizer as maiores alarvidades, porque o momento de desespero assim o pede. Quem tem, realmente, culpa da situação em que estamos agradece. Ao meter tudo no mesmo saco, não se faz a selecção natural que retiraria da boca de cena os medíocres e daria espaço aos poucos competentes. Assim... lá vamos cantando e rindo.

2 - No 5 de Outubro, à noite, ouvi um dos raros pensadores livres deste país, António Vilar, a fazer um diagnóstico acertado dos governantes que têm passado pelo poder, nas duas últimas décadas: ‘sabem a tabuada e mal’. Não fazem a mínima ideia do que são ciclos da História, não leram, não aprenderam nada. São incultos, mas ‘comeram’ todas as teorias económicas e políticas que nos conduziram a esta situação.

A António Vilar, um homem do PSD, faltou dizer que o Povo está igual, embrutecido pelo novo-riquismo da era Cavaco, pela conversa de tasca que o levou a não se ‘meter’ na política e deixar que gente incompetente fosse garantindo o lugar. Em Democracia, um Povo tem o Governo que merece.

3 – Um exemplo recente da conversa de tasca é a proposta do PS para reduzir deputados. É mais do que certo que irá agradar a muita gente que acha que nem deveria haver Assembleia, mas não passa de uma jogada baixa – por alguma razão do PSD concorda – para garantir uma bipolarização que retire do parlamento as vozes mais críticas, da esquerda e da direita. Um dia destes ainda vêm com aquela ideia dos círculos uninominais que desvirtuam totalmente a vontade dos eleitores e acabam com os partidos mais pequenos. Então, será mais fácil alterar a Constituição, acabar com os direitos laborais e impor um regime neo-liberal. Mas vai ter muitos ‘likes’ no facebook, lá isso vai. E sem ser preciso oferecer um copo.