José Edgar Marques da Silva Numa democracia "ser do partido, e tomar partido", implica respeito pela liberdade do outro a todos os níveis. É inadmissível que, pela via da imposição, do nepotismo e da bajulação, isso seja aceite e tolerável; é a antítese, da tese que defende a existência da democracia e dos partidos, a pluralidade de ideias e ideais, num respeito recíproco pela opinião diferente, pelas divergências e opostos, que a tornam dinâmica e construtiva, nas ideias, no conteúdo e na forma, de se estar na política e na governação. O carreirismo político, e a consequente "profissionalização" destrói e corrói os ideais democráticos. O poder deturpa a mente de quem por lá fica tempos sem fim, não sabendo aceitar o fim, e impondo por vias que desvirtuam a democracia; pasme-se, e, em nome dela, subjugam mentes e pessoas, pela via da sua fragilidade e sede, em protagonismo, que parasitam, de livre vontade, servindo, e tirando partido, mesmo que isso implique a bajulação doentia e o servilismo saloio. Vejamos a disputa pela liderança do PSD-M. É entendidapor uma facção como um "assalto ao poder", quando o poder, em democracia, assim deve ser disputado, não pela sua conquista e exercício, mas ganho pela discussão de ideias e projectos, aos quais aderem os militantes, o sufragam, disponibilizam-se, a concretizar e pela via do voto dão a sua anuência; pelo trabalho e dedicação apresentam-se para servir e não ser servidos. Que partido foi e é o actual PSD-M, um partido onde "ser do partido, implica tomar partido" pela via do "reconhecimento, da dedicação", "dos prémios acumulados", em que o cartão de militante parece ser mais um cartão de pontos, de um qualquer posto de abastecimento de combustível, que dá direito a prémios e vitalícios; que dinâmica democrática teve um partido, de uma "ideia só" e "só de uma pessoa", que dele fez o que quis e muito bem entendeu; mandando às urtigas a democracia e a portugalidade, quem governou em nome de um partido e de uma povo, referindo-se sempre "ao meu governo e ao meu partido", mas sempre, quando as coisas ficam quentes, escudando-se na culpa de outros como, "o governo central; na autonomia, numa metrópole colonizadora".