Costumava rir-me das piadas que todos os dias leio nos jornais e demais meios de comunicação sobre esta famigerada crise. Depois, imaginava como poderia reagir alguém que tinha perdido o emprego e que, após 10, 20 ou 30 anos de labuta, ficava sem nada para fazer. Agora sei e posso dizer-vos que não tem graça. Muitos falam da "crise" mas poucos sabem o que é e que faz às pessoas. Quando a crise nos toca de tão perto, percebemos a força monstruosa e devastadora de cada medida destes pseudopolíticos que nos (des)governam. Vivemos juntos mas morremos sós… e cada vez estamos menos juntos. O Desporto também contraiu este vírus chamado "crise". O que dizer do Desporto madeirense? Vamos vivendo iludidos por medidas isoladas e pontuais deste novo organismo que mais parecem bombeiros (in)voluntários do que "engenheiros do fato de treino" necessários para (re)inventar a sustentabilidade do sistema desportivo regional. Não se procura nenhum milagreiro com rezas e crucifixos a preceito, apenas alguém com coragem para romper com o passado e assumir o presente. Enquanto ele não chega, os clubes vão fechando, desistindo de competições nacionais faltando aos seus compromissos desportivos mas também sociais e educativos. Vão vivendo cada vez mais sós e abandonados ao seu destino. Cada um reivindica a sua parte do bolo mas poucos conseguem os seus intentos, apenas os suspeitos do costume… Sempre ouvi dizer que a união faz a força mas o que assistimos nos últimos meses foi que a união feita à força foi demasiada frágil e débil. A verdade é que o Desporto, na sua essência, desde a escola ao Futebol Profissional, está desacreditado e descredibilizado. Não acredito em teorias da conspiração nem em bruxas, mas que as há… lá isso há!

Arlindo Vieira, Colaborador da AAUMa